O mito de que o Brasil prende demais

  • Por Jovem Pan
  • 06/01/2017 12h23
Presos

A construção de novos presídios federais, conforme anunciado pelo ministro da Justiça, é bem-vinda. O Brasil precisa de mais presídios. Temos que enfrentar um mito brasileiro: o Brasil prende em excesso?

Superlotação de presídio é uma coisa. Encarceramento excessivo é outra. Vou citar meu amigo Felipe Moura Brasil, brilhante, para dar um exemplo torto feito para que até Lula entendesse: “não é porque uma geladeira está superlotada de bebida, que há bebida demais para a festa. A geladeira pode ser pequena e o número de convidados da festa, grande”.

Essa confusão proposital entre superlotação de presídios e prisão em excesso serve para alimentar o discurso de grupos que militam para legalizar alguns crimes, como o chamado pequeno tráfico de drogas, justamente aquele que ceifa os mais expostos ao crime: os mais pobres.

O Brasil tem uma grande população carcerária porque tem uma grande população. O País tem a quarta maior população carcerária do mundo, mas tem também a quinta maior população do mundo, ora. No ranking comparativo que realmente importa, o que mede o número de presos por cada 100 mil habitantes, o Brasil estava na 32ª posição, nada, claro, do que se orgulhar.

Mas não se pode dizer, diante desse ranking, que um País com 60 mil homicídios por ano, líder mundial em  assassinatos, prende demais.