O mundo e Temer

  • Por Caio Blinder
  • 02/09/2016 09h43
Temer China

 Do forno do impeachment de Dilma Rousseff saiu uma pizza fatiada, confirmando a formidável capacidade da classe política e judicial brasileira de fazer coisa podre. Renan Calheiros deu mais um golpe nas ilusões de que a decência pode esmagar a venalidade.

Desabafo feito, vamos aos fatos. Michel Temer é presidente do Brasil e o mundo se ajusta rapidamente e de forma pragmática à realidade. Exceção, é claro, são os países governados por gente que vive em uma realidade alternativa como os hermanitos bolivarianos, que insistem na lenga lenga de golpe das elites brancas contra a classe oprimida dignamente liderada por Lula e a pobre Dilma.

Michael Temer está na China para a reunião do G-20, apresentando-se ao mundo com a meta de manter e azeitar os laços com o gigante superemergente, uma relação que foi pedra de toque nos governos Lula e Dilma, mas também de reorientar os laços com as economias maduras que se mostram capengas.

E bota capenga nisso. Temer estará com Barack Obama no fim de semana na cúpula em si do G-20, mas o presidente americano está de partida e, na Europa, mesmo a dama de ferro Angela Merkel derrete diante de tantos desafios e crises.

Obviamente para o nosso “cavalheiro de ferro” não faltam desafios e crises. Aqui no exterior, Temer foi objeto de editoriais dos principais jornais. Vamos ficar com os americanos. O editorial do New York Times aconselha o presidente a fazer algumas coisas para que o país restaure a confiança na sua elite política assolada por escândalos, a destacar iniciativas legislativas destinadas a depenar as investigações de corrupção. Bem, falta combinar com Renan.

Sobre a economia, o New York Times lembra que houve algumas melhorias modestas desde que Temer assumiu de forma interina. Os mercados gostaram, mas não estão exuberantes. O jornal diz que cortes dos gastos são vitais para dar conta do desastre fiscal, mas alerta contra o enxugamento dos programas sociais que fizeram o hoje desgraçado PT popular em outras eras.

Como comecei muito desolado este boletim, vou terminar mais para cima, citando o editorial do Wall Street Journal. No seu primeiro parágrafo, o seguinte: a última década foi áspera para a democracia na América Latina, mas o Brasil emerge do impeachment de Dilma com suas instituições políticas intactas.

E as últimas palavras do editorial são as seguintes: Se Temer for sábio, ele usará este momento de estabilidade institucional para recolocar a economia brasileira nos trilhos.

Será difícil com a venalidade de boa parte da classe política e a infatigável sabotagem do lulopetismo.