O Nobel da Paz 2015 é a semente sobrevivente da Primavera Árabe, um alento em meio ao desconsolo

  • Por Jovem Pan - Nova Iorque
  • 10/10/2015 13h00
Os quatro congratulados pelo Nobel da Paz enquanto eram homenageados pelo presidente da Tunísia (não aparece) em janeiro

O arco do mundo islâmico que vai das bandas do Paquistão e Afeganistão até os países da África do norte no geral é um grande desconsolo, com um cenário de ditadura, guerra civil, obscurantismo, fanatismo religioso, atraso educacional, profundas desigualdades socials e, para não esquecer, a barbário.

É um cenário dominado pelo Talibã, pelo Estado Islâmico, pelas teocracias como a do Irã, pelo despotismo saudita, por políticos altamento corruptos e cínicos e por ditadores genocidas como Bashar al-Assad. Na África do norte, porém, há cinco anos, floresceram as esperanças da Primavera Árabe, hoje tão murcha, esmagada pela realidade. No entanto, algumas sementes sobrevivem, como na Tunísia, que foi o berço desse movimento.

Assim, depois dessa longa e desconsolada introdução, eu saúdo a premiação do Nobel da Paz para o Quarteto Para o Diálogo Nacional da Tunísia, por sua contribuição decisiva para a construção de uma democracia pluralista no país. O Quarteto foi vital para impedir uma guerra civil na Tunísia.

O Quarteto formado por integrantes de grupos sindicais, empresariais e ativistas dos direitos humanos, foi criado em 2013, quando o processo de redemocratização da Tunísia estava correndo risco de afundar, após assassinatos políticos e protestos.

A Tunísia ainda tem uma situação muito frágilo, mas ainda está anos-luz à frente de países como a Síria, devastada por uma guerra civil que desafia a imaginação na busca de uma solução diplomática. O que temos na Síria é o aprofundamento da crise, agora com intervenção direta dos russos de Vladimir Putin a favor do ditador Bashar Al-Assad.

Esse Nobel da Paz de 2015 é um prêmio para todos que ainda acreditam que em todas as partes do mundo ainda seja possível construir uma sociedade melhor, mais justa, mais pluralista e menos obscurantista.

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