Operação Zelotes revela o “modus operandi” dos petistas

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 27/10/2015 10h51
SÃO PAULO, SP, 26.10.2015: OPERAÇÃO-ZELOTES - Fachada do prédio onde fica empresa da família do ex-presidente Lula na rua Padre João Manuel, em São Paulo. A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (26) uma nova fase da Operação Zelotes, que investiga venda de decisões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)Prédio comercial onde fica o escritório da LFT Marketing Esportivo

Quem costumava — e costuma ainda — degolar as pessoa e só depois procurar saber se culpadas ou inocentes são os petistas. Eu não! Sempre acreditei no direito de defesa. Mas sou atento. Sobretudo àquelas informações que vão chegando aos poucos, por camadas. E os petistas e seus apadrinhados e amigos são mestres nisso.

Como vocês sabem, a Polícia Federal deflagrou nesta segunda a quarta fase da Operação Zelotes, que investiga fraudes em julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado à Receita Federal e, pois, ao Ministério da Fazenda. Em comunicado, a PF informou que 33 mandados judiciais foram cumpridos, sendo seis de prisão preventiva, nove de condução coercitiva e dezoito de busca e apreensão. Entre os escritórios alvos da busca, estava o de Luiz Cláudio da Silva, um dos filhos de Lula e dono da empresa LFT Marketing Esportivo.

Peço licença agora para falar só um pouquinho da outra operação: a Lava Jato. Já retomo o fio. Peguem o caso do pecuarista José Carlos Bumlai, que, segundo Fernando Baiano, levou Lula para fazer lobby em favor da OSX, de Eike Batista, ao preço de R$ 2 milhões, que teriam ido para uma nora do ex-presidente. Primeira reação de todos: ninguém sabia ou se lembrava de nada.

Segunda reação: a) Bumlai admite que trabalhou com Baiano; b) reconhece que mobilizou Lula; c) diz que o petista participou ao menos de uma reunião; d) afirma que, de fato, Baiano lhe pagou um dinheiro, mas apenas R$ 1,5  milhão, não R$ 2 milhões, mas a título de empréstimo. E, claro!, conhece as quatro noras de Lula, mas não deu dinheiro a nenhuma.

No caso da Operação Zelotes, repete-se o mesmo procedimento. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência na gestão Lula, foi intimado a prestar depoimento, nesta segunda, sobre a sua possível atuação em favor de um lobby para aprovar uma Medida Provisória que beneficiava o setor automobilístico. Seu principal contato com a operação seria Mauro Marcondes, do escritório Marcondes & Mautoni.

Relatório da PF é muito incisivo sobre Carvalho. Está lá:
“Constatamos que as relações mantidas entre a empresa do lobista Mauro Marcondes e o Gilberto Carvalho são deveras estreitas. Os documentos que seguem abaixo fortalecem a hipótese da ‘compra’ da medida provisória para beneficiamento do setor automotivo utilizando-se do ministro que ocupava a ‘antessala’ do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, responsável direto pela edição de medidas provisórias”.

Atenção: o Marcondes & Mautoni  é o mesmo escritório que encomendou, por imodestos R$ 2,4 milhões, um trabalho à empresa de Luiz Cláudio, um dos filhotes de Lula. O que os lobistas queriam com o marqueteiro dos esportes? Só Deus sabe! Por isso a sua empresa foi alvo de busca e apreensão.

Eis que Gilberto Carvalho revela ao Estadão que Mauro Marcondes, um dos sócios da empresa de lobby, é amigo pessoal de Lula desde os tempos em que o líder petista era sindicalista em São Bernardo. E sabem o que Carvalho diz ainda? Que Marcondes pode ter usado o nome do chefão sem o conhecimento deste. Ah, bom!

Notem: quando ficou evidente que Baiano havia denunciado a atuação de Bumlai em favor da OSX, o que disse o ex-presidente? Que seu outro amigão pode ter usado o seu nome sem sua autorização. Eis Lula! Desde o mensalão é assim, não é? Quem o conhece bem assegura que é desde muito antes. Ele acaba como o beneficiário último de determinados procedimentos nada republicanos, mas nunca sabe de nada, coitado! De traição em traição, tornou-se o homem mais poderoso do Brasil.

Uma informação adicional que é mesmo do balacobaco: segundo Carvalho, Lula conheceu Marcondes quando era sindicalista, e o outro, diretor da Volkswagen. Esse Lula é mesmo um danado! Era o sindicalista enfezado, que subia em palanque e deitava falação, que radicalizada a luta, mas, ora vejam!, fazia, enquanto isso, amizades com os diretores das empresas contra as quais ele lutava.

Este senhor sempre teve, realmente, um entendimento muito particular da luta de classes. Também esta, a tal luta, sempre resultou em consideráveis benefícios pessoais e políticos para o nosso Demiurgo.

Não pensem que Gilberto Carvalho deixou escapar que Lula era amigo do lobista desde São Bernardo. Nada disso! Carvalho é a sombra e o principal braço operativo do Poderoso Chefão. Isso é meticulosamente combinado. Se necessário, dirão que a relação de amizade também justifica a forcinha que o tal lobista deu ao filho do ex-presidente.

O senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), presidente da CPI do Carf, afirmou que pretende convocar Luiz Cláudio para depor. É o mínimo. Só para lembrar: a Operação Zelotes investiga fraudes que podem chegar a R$ 19 bilhões. Não pensem que chegamos por nada ao fundo do poço.