Os golpistas Stedile, Boulos e Lindbergh num mesmo avião rumo a Brasília

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 30/03/2016 11h36

Presidente Dilma Rousseff durante evento com juristas no Palácio do Planalto

EFE - Presidente Dilma Rousseff durante evento com juristas no Palácio do Planalto

Um voo de São Paulo para Brasília conduzia nesta tarde João Pedro Stedile, chefão do MST, e seu congênere, vamos dizer, urbano, Guilherme Boulos, que dá as cartas no MTST. Na mesma aeronave, estava o ex-cara-pintada, que hoje não tem medo de ser cara-de-pau, Lindbergh Farias, senador (PT-RJ). Antes que o “Lindinho” tente me processar, que leia o texto até o fim. Explicarei o trocadilho com as duas caras.

Não! Boulos não estava indo a Brasília para cuidar de moradia. Tampouco Stedile iria se ocupar de questões rurais. Tinham encontros na capital para integrar a tropa de choque que pretende resistir ao triunfo da Constituição.

A história de que o impeachment seria sinônimo de golpe nem nova é. Essa é uma invenção de 2005, quando veio à luz o escândalo do mensalão, e surgiu do cruzamento malsucedido das mentes perturbadas de dois intelectuais petistas — na hipótese de que isso exista: Marilena Chaui e Wanderley Guilherme dos Santos. O leitor pode se perguntar: “E qual seria o encontro bem-sucedido, Reinaldo?” Não há. 

O troço é tão aborrecido! Jesus Cristo! Encontro no blog um artigo que publiquei em julho de 2006 no Estadão criticando a tese de Marilena. Chama-se “A Revolução da Boçalidade”.

É impressionante que, dez anos depois, os mesmos atores estejam repetindo a mesma coisa, mas agora tendo de responder por um escândalo de dimensões estratosféricas. Na verdade, mensalão e petrolão, hoje sabemos, conviveram como expressões de um método de governo.

Muito bem! João Pedro Stedile e Guilherme Boulos, dois dos propagandistas da tese do golpe, são beneficiários políticos do, digamos, regime petista. Todos os partidos de esquerda têm as suas “vanguardas”, que são os grupos mais aguerridos, que se encarregam de afrontar a legalidade.

Seu papel é sempre testar novas “formas de luta” que levem a sociedade a se acostumar com o desrespeito reiterado à lei, de modo que, com o passar do tempo, reste apenas a vontade dos grupos militantes como referência da normalidade.

E eis que os Boulos e os Stediles da vida, que lideram movimentos que não produzem um parafuso e não agregam um centavo à economia brasileira, se sentem no direito de tachar de “golpistas” os brasileiros que resolveram pôr um ponto final às “tenebrosas transações” — como diria o petista Chico Buarque — em curso no Brasil.

Especialistas os mais diversos e ministros e ex-ministros do Supremo já atestaram a absoluta constitucionalidade e legalidade do impeachment. Ocorre que o debate, obviamente, não é de natureza jurídica. Fosse, ninguém se atreveria a chamar de rompimento da ordem legal o que é aplicação do texto constitucional. Só não se pode dizer que é corriqueira porque não se tem um impeachment todo dia.

A questão, obviamente, é política. E de má política. Porque, nesse caso, cumpre alertar os leitores: NÃO ACEITEM A BOBAGEM DE QUE CONSIDERAR O IMPEACHMENT GOLPE OU NÃO É MERA QUESTÃO DE DIFERENÇA DE OPINIÃO.

Não! Há aí a diferença entre o certo e o errado. Dois mais dois não são cinco, são quatro. O que está na Constituição, regulamentado por lei e ritualizado pelo Supremo, num regime de plenas garantias democráticas, é apenas exercício da democracia.

Se alguém vier com aquela cascata de “cada cabeça, uma sentença”, peça que consulte os Artigos 85 e 86 da Constituição e a Lei 1.079. Faça isso você mesmo. Deixe claro que mera opinião, sem fundamento, é a deles. Você está com a verdade.

Desta vez, não!

Em 2005, a situação econômica do país era outra; o mensalão parecia um troço mais enrolado; vivia-se ainda sob o impacto das supostas mágicas de um demiurgo… E a falcatrua intelectual de Marilena e Wanderley acabou sendo influente.

Desta feita, não! Agora, o bandido já não consegue se confundir com o mocinho. Há os que roubam: eles; há os que estão sendo roubados: nós! Fácil de entender.

Quem está indo a Brasília, na suposta condição de líderes de movimentos sociais, para tentar articular um golpe são Stedile e Boulos. Grande parte do seu poder e de sua influência depende do governo. Eles não conseguem se entender é com a sociedade.

Quanto a Lindbergh…
Esse rapaz, hoje senador, foi parido pelas esperanças do povo brasileiro, em 1992, que defendeu o impeachment de Collor.

Se vocês clicarem aqui, encontrarão a denúncia contra o então presidente, que foi aprovada pela Câmara. As acusações feitas contra Collor, naquele documento, parecem coisa de moleque comportado do jardim da infância perto do que há contra Dilma.

Mas Lindbergh achava que derrubar Collor correspondia a atender às aspirações do povo brasileiro. Hoje, ele chama de “golpe” o impeachment de Dilma.

A gente jamais saberá se a Capitu da Praia da Glória estava dentro da de Matacavalos. Mas é evidente que o cara de pau já estava dentro do cara-pintada.