Os regimes populistas da América Latina estão falidos
Regimes populistas na América Latina, seja ao estilo lulopetista, seja ao estilo chavista, estão falidos, em termos econômicos, políticos e éticos. A sobrevida pode ser mais curta ou mais longa, a transição mais suave, mais brusca e até violenta. O chavismo é claro tem uma capacidade perigosa de causar muito dano até entregar ou ser privado das chaves do poder.
Foi uma semana especialmente turbulenta na Venezuela com decisões sobre blecaute e redução da jornada de trabalho nas repartições públicas devido à crise de energia, protestos violentos em face da escassez de alimentos e colapso econômico do país e as pressões da oposição para que haja o referendo sobre a cassação do mandato do presidente Nicolás Maduro.
A oposição conquistou o controle da Assembleia Nacional em dezembro passado, mas o estado venezuelano está aparelhado pelo chavismo. Mesmo assim, a iniciativa para o referendo avança graças à mobilização da oposição. A justiça eleitoral faz o que pode para atrasar a iniciativa, mas a oposição anunciou que consegui coletar em um dia cinco vezes mais o número de assinaturas populares necessárias para começar os trâmites do referendo.
A oposição luta contra o relógio controlado pelo chavismo para que este referendo ocorra por volta de novembro/dezembro. Mesmo com agilidade, o processo leva tanto tempo em razão da coleta de quatro milhões de assinaturas, sua auditoria e a logística do referendo em si.
E por que o referendo precisa acontecer até o final do ano? Caso ocorra em 2017, mesmo com a revogação do mandato de Maduro, não são convocadas novas eleições, nas quais a oposição deve vencer, mas o seu vice, chavista, fica no cargo até 2019. E a Venezuela não aguenta mais tanto tempo de desmandos e má gestão do chavismo.
A oposição adverte que este referendo é uma das últimas saídas constitucionais e pacíficas para a crise sem fundo na Venezuela. A advertência não é alarmista.
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