Pagar para não perder ou perder para ganhar?

  • Por Jovem Pan
  • 19/11/2014 10h09

Quero ir ao caso da confissão do vice-presidente da construtora Mendes Junior, Sérgio Cunha Mendes, que disse ontem à Polícia Federal que realmente pagou R$ 8 milhões ao doleiro Alberto Yossef entre julho e setembro de 2011.

O executivo justificou o pagamento como sendo vítima de uma extrosão e que pagar os R$ 8 milhões teria sido a única forma de evitar represálias em contratos da empreiteira com a Petrobras.

Primeiramente, vale lembrar: Sérgio Cunha foi detido na mais recente fase da Operação Lava Jato e o doleiro Alberto Youssef foi quem, preso anteriormente, negociou uma delação premiada e está entregando nomes de políticos, diretores da Petrobras e empresários que participaram do mega esquema de desvios bilionários da empresa que está sendo investigado pela Polícia Federal.

Volto ao fato principal: o quanto a explicação do executivo da empreiteira Mendes Junior, o vice-presidente Sérgio Cunha Mendes, é plausível? Ele disse que pagou a propina porque foi vitima de extorsão que poderia, não aceitasse ele pagar, perderia contratos com a Petrobrás.

Sabe o que dizem quase todos os detidos acusados de roubo na delegacia depois de presos, quando a casa já caiu?

Dizem que foram vítimas de alguma coisa: da extorsão dos bandidos mais poderosos que os ameaçam na base do ou rouba ou morre. Outros culpam a extorsão da vida ruim que levam que os levaria roubar ou passar fome.

Nenhum, ou quase nenhum, pelo menos naquele momento surpreendido pela polícia, diz que que queria ficar rico, que queria levar vantagem sobre o restante da sociedade. Nennum!

Volto, portanto, uma vez mais à explicação do executivo da Mendes Junior tentando explicar o aceitou pagar a propina ao doleiro Alberto Youssef para não sofrer represálias nos contratos que tinha com a Petrobras.

Pode até explicar. Mas não justifica. O crime estava em pleno andamento e outra escolha é sempre possível, ao menos para quem não estava entre a cruz e a espada de quem vive nos grotões de miséria deste país.

Perder um contrato com a Petrobras poderia até ser ruim para os negócios da construtora.

Mas ter aceitado a extorsão revela muito mais de quem pagou do que apenas o temor de uma perda financeira com o cancelamento de um negócio.