Papa medeia reunião entre Peres e Abbas no Vaticano

  • Por Jovem Pan
  • 26/05/2014 09h53

Reinaldo, no próximo dia 06 os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, se encontram no Vaticano. Sob a mediação do papa Francisco para debater a paz. Será que vai dar certo dessa vez?

Seria muito bom que acontecesse, mas é difícil. Olá, amigos e internautas da Jovem Pan.

O convite foi feito pessoalmente pelo Sumo Pontífice, que está em visita à região. O Papa fez diversas declarações de cunho político. Ao chegar a Israel, condenou o ataque anti-semita ocorrido no sábado na Bélgica. Um atirador matou três pessoas e deixou diversos feridos no Museu Judaico, em Bruxelas.

O papa chegou a Tel-Aviv depois de passar por Belém, na Cisjordânia, onde está a Igreja da Natividade. Ali defendeu o direito dos palestinos de viverem em paz e em segurança. Disse o papa: “Neste local de nascimento do Príncipe da Paz, eu gostaria de convidá-los, presidente Mahmud Abbas, juntamente com o presidente Shimon Peres, para se juntarem a mim em oração sincera à Deus. Eu ofereço a minha casa no Vaticano como o lugar para este encontro de oração”.

Muito bem. Israel é governado por um primeiro-ministro, o presidente é um chefe simbólico, de Estado, e não exerce papel executivo. Mas é evidente que o encontro tem um peso político importante, e ele se dá num péssimo momento das relações entre palestinos e israelenses. E por quê?

Há um mês o Fatah, o movimento comandado por Abbas, e que governa a Cisjordânia, e o Hamas, a corrente extremista que comanda a Faixa de Gaza, anunciaram um acordo de conciliação. O objetivo é formar um governo de unidade e marcar eleições nos próximos seis meses.

Segundo o entendimento, Abbas, que preside a Autoridade Palestina, formaria um novo governo, que poderia ter como adjuntos, Ismael Hanie, o líder do Hamas e do governo em Gaza, e Hami Hamidalah, que é o primeiro-ministro da Cisjordânia.

É claro que o acordo foi muito mal recebido em Israel, e nem poderia ser diferente. Se é verdade que não haverá paz na região enquanto Fatah e Hamas não tiverem unidos no mesmo propósito, não é menos verdade que a união dos dois grupos, sem que o Hamas abdique das ações terroristas, impede justamente o processo de paz.

Ora, um dos pontos de honra do Hamas, e item até agora inegociável em seus estatutos, é justamente a destruição de Israel. País cuja existência legal o movimento não reconhece.

Expulsar os judeus do solo palestino, que para o grupo abrange todo o território israelense, é considerado uma missão divina. Viva a iniciativa do Papa Francisco, tomara que seja o começo de uma negociação virtuosa. A questão é saber que poder tem Abbas sobre o Hamas para conversar com Shimon Peres sobre a mediação do papa.

Uma coisa é certa, ele não tem como garantir que o Hamas abrirá mão dos seus princípios e de sua luta. Até porque o grupo continua a usar a Faixa de Gaza como base de lançamento de mísseis contra Israel. De todo modo, é preciso começar por algum lugar. Que seja então com a mediação de Francisco.