Partido dos Trabalhadores nunca esteve tão desorientado; entenda

  • Por Jovem Pan
  • 13/10/2014 13h24

Reinaldo, você diz nunca ter visto o PT tão desorientado, é isso?

É isso mesmo! Desorientado como nunca se viu. Não sabe o que pensar, o que fazer, o que falar. Dilma está se atrapalhando ao tratar da investigação na Petrobras; João Santana erra a mão no horário eleitoral, o do tucano está muito melhor, e a turma da internet, os fanáticos, não tem limites na escalada da virulência.

Tudo isso vai caracterizando uma espécie de vale-tudo e de jogo sujo contraproducente. O pânico toma conta, o escândalo de dimensões inéditas na Petrobras é onipresente. Dilma parece perplexa. Quando alguém, na sua condição, também presidente da República, usa o tempo para criticar a investigação e para acusar perseguição, e não nos esqueçamos de que a operação Lava Jato nasceu de uma investigação da Polícia Federal, eis, então, um sinal de que as coisas vão de mal a pior.

Dilma se queixa de “vazamentos seletivos”. Infelizmente para ela, os depoimentos que já começaram a causar um terremoto no mundo político, e estamos só no começo, não pertencem àquela parte da investigação coberta pelo sigilo de Justiça; não integram a fatia de revelações da chamada “delação premiada”.

Dilma saiu a cobrar que tudo seja divulgado, como se o “tudo” lhe pudesse ser benéfico. Ora, não nos esqueçamos de que, segundo apurou a VEJA, a parte sigilosa dos depoimentos atinge, por exemplo, o seu ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, além de algumas cabeças coroadas do PMDB.

Pois é… o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, se não contou tudo, contou muita coisa. As diretorias eram separadas em cotas partidárias. O PT tinha a de Serviços, a de Exploração e Produção e a de Gás e Energia. O PP ficava com a de Abastecimento, que era a do engenheiro, e o PMDB, com a Internacional. Cada partido tinha o seu operador para cuidar do dinheiro sujo.

Ele deu detalhes de como a coisa funcionava, por exemplo, na diretoria de Serviços, que era comandada pelo petista Renato Duque.

Afirmou:”A diretoria de Serviços, através da comissão de licitação, ia no cadastro, escolhia as empresas de acordo com a complexidade da obra, de acordo com valor da obra aproximado, que já se tinha ideia etc., e separava as empresas. Então, quem fazia tudo isso era a comissão de licitação interna da companhia, da Petrobras”.

O que Dilma queria? Que os donos da Petrobras, que são os brasileiros, fossem privados dessas informações? Por quê presidente? O PT nega tudo e tal, mas as provas do crime estão lá, com a Polícia Federal, com o Ministério Público e com a Justiça. Na hora em que essa história chegar, de fato, aos engravatados é que a terra vai tremer. Notem quem até agora, não se sabe quem era o verdadeiro chefe do esquema . Não se enganem: numa engrenagem como essa, alguém dava a última palavra e harmonizava os interesses conflitantes. Quem??? As circunstâncias estão forçando o horário eleitoral de Dilma na TV a ser reativo, tenso, mal- humorado e rancoroso.

Dia desses, no metrô, ouvi uma conversa de pessoas simples, sem, vamos dizer, sotaque universitário. Uma das mulheres dizia à outra: “Cê vai ver: agora o PT vai começar a xingar o Aécio; eles sempre fazem isso…”. Eis aí, e isso era de tal sorte esperado que há uma boa possibilidade de que ninguém dê bola.

O PT opta pelas piores práticas de demonização de pessoas e de sua biografia. Transformar Armínio Fraga e FHC em inimigos do salário mínimo é uma fraude, uma mentira, uma indignidade. Inferir que o ex-presidente agrediu nordestinos é indecoroso.

Faltam 13 dias para o segundo turno. Há pela frente os debates, que, agora sim, oporão de verdade os candidatos com chances de vencer a disputa. Dá para dizer que Aécio já ganhou? É claro que não! Mas já dá para afirmar com absoluta certeza que Dilma corre o risco de perder o juízo. Ao chamar de golpistas os eleitores que se negam a votar nela, evidenciou que, no fundo do peito, ainda nutre um profundo desprezo pela democracia. Pode ser inexperiência.  Afinal, ela venceu até hoje 100% das eleições que disputou: uma só. Não deve saber que é a derrota que evidencia se o político aderiu ou não aos valores democráticos, afinal, é só nas tiranias que o mandatário vence sempre, governanta!

Parte da herança maldita do petismo o atropelou na reta final da disputa.

À diferença de Dilma, eu respeito as urnas, mesmo quando não gosto do resultado, e não chamo ninguém de golpista. E, porque respeito, encerro assim: que o eleitor decida. A democracia existe para que ele exerça a sua soberania, não para que um partido, qualquer um, vire o dono da sociedade.