Paula Napolitano dá dicas para o casal sair da rotina

  • Por Jovem pan
  • 09/05/2014 09h53

 Cada vez mais no meu consultório eu encontro casais com diversas dificuldades na área da sexualidade e que possuem em comum o fato de terem esquecido que o casamento deve ser, em si, um eterno namoro.

Quando passam a morar juntos, a rotina, as tarefas de casa, as contas, as preocupações e o cansaço começam a tomar conta e as obrigações começam a ganhar um peso enorme. Nesta hora eu me lembro da frase do filósofo grego Epíteto: “Os homens não são movidos pelas coisas, e sim pela visão que tem delas”. Gosto muito desta frase e acredito que ela se encaixa perfeitamente neste contexto. Todas essas tarefas tem mesmo a sua dificuldade e tempo para serem feitas, mas muito do peso de tudo isso tem a ver com a interpretação que temos delas.

Desta maneira, o foco e a prioridade que na época do namoro costuma ser o(a) parceiro(a) passa a estar nas tarefas e obrigações. Aqui costuma surgir a pergunta: “Mas isto não é normal? Não é assim que as coisas são mesmo?” Não, não precisa ser assim. É claro que existe certa adaptação da vida de solteiro para a vida em casal, de morar sozinho ou com os pais para morar com a pessoa amada, mas isso não significa que o namoro acabou. Pelo contrário, é muito importante que não deixemos ele acabar.

Com base nas experiências que eu tenho vivido no consultório, eu selecionei algumas falhas mais comuns que os casais tem cometido e apresento algumas dicas de como reverter a situação:

  • Quando você namorava, provavelmente você: se preocupava em se arrumar, colocar uma roupa que achava que valorizava o seu corpo, que lhe caía bem; usava um perfume ou desodorante gostoso; arrumava o cabelo; usava as melhorem roupas íntimas… E hoje??? O que está esperando para promover esses pequenos gestos e ações de atração no seu dia-a-dia?! Tem feito isso com freqüência?
  • Quantos lugares vocês conheceram? Quantos passeios diferentes fizeram? No início eram jantares, restaurantes, parques, cinema, filme em casa, sair com os amigos, viajar, barzinhos, quem sabe até baladas… E hoje, como está o lazer de vocês? Há quanto tempo não fazem um passeio diferente a sós? É importante lembrar que, às vezes, colocamos a culpa no dinheiro quando na verdade existem muitas opções de lazer e passeios de baixo custo, encontradas em promoções ou até sem custo, como parques, exposições, shows, filmes, jardim botânico… A questão é pesquisar, se interessar, ir atrás.
  • Qual era a frequência de demonstrações verbais ou não verbais de carinho e de amor? Dizer “eu te amo” ou demonstrar isso, dizer como a pessoa é especial para você, mensagens, carinho, abraços, beijos, ficar abraçados, olhar olho no olho, carícias… Qual foi a última vez que você disse “eu te amo” ou fez estas outras coisas?
  • Quando estamos no início do namoro os beijos são mais intensos, mais demorados, às vezes mais “calientes”… como eles estão hoje em dia? Com que frequência vocês se beijam? E como é este beijo? É um selinho, beijo na testa, na bochecha? Está faltando algo, não?! E os abraços? Ficar abraçados, de mãos dadas… Onde estão?
  • No início vários favores eram feitos um ao outro, se ajudavam no que podiam e às vezes até no que não podiam. E hoje, o que você tem feito para ajudar seu(sua) parceiro(a) a ter um dia a dia mais leve ou conseguir resolver algum problema?
  • No namoro também existiam programas feitos junto com os amigos, mas sempre se achava um tempo para sair só o casal, para um programa a dois, seja mais romântico ou mais ardente, mas o tempo do casal sempre estava reservado. E hoje? Como está o tempo de vocês a sós? E não estou me referindo àquele momento em que os dois se encontram à noite em casa, no mesmo cômodo, fazendo seus afazeres ou sentados no sofá, “cansados do dia”, simplesmente assistindo a novela ou se distraindo com o que quer que seja. Estou falando daquele jantar especial, de estar na rede deitados juntos, lendo um livro com os pés entrelaçados, saindo para curtir algo juntos. Se o casal tem filhos, vale investir na família, nos amigos, nos padrinhos e eventualmente em babás para terem de vez em quando este tempo, não acham?

No namoro queremos conquistar, atrair, seduzir, e para isso investimos e mostramos esse investimento na pessoa. São comportamentos, gestos, demonstrações de que gostamos da pessoa, até que decidimos nos casar, morar juntos ou simplesmente “juntar os trapos”. É neste momento que parece que a nossa interpretação sobre o que estamos vivendo muda, como se já tivéssemos conquistado, atraído e seduzido o outro e não precisássemos fazer mais nada. Ledo engano. É justamente neste momento que precisamos continuar regando a semente que plantamos para que ela continue crescendo e dando os frutos que escolhemos e tanto almejamos.

É comum acharmos que precisa brotar um desejo interno espontâneo de se sentir excitado, de ter vontade de sair, de regar as plantas, de estudar, quando na verdade é só às vezes que este desejo vem espontaneamente. Todas as outras vezes temos que buscar, nos esforçar, fazer aparecer esta vontade. O mesmo acontece no relacionamento e no sexo, pois eles também exigem um esforço para sair da inércia e da acomodação e buscar aquilo que queremos para nós e para os nossos relacionamentos. Se isto for feito diariamente, com os pequenos detalhes e exemplo citados acima, as coisas fluem mais leves e o sentimento de alegria, felicidade e realização irá nos acompanhar mais frequentemente.

Então, o que acham? Vamos trazer o eterno namoro para dentro dos nossos relacionamentos?