Perdemos a indignação

  • Por Jovem Pan
  • 24/11/2014 12h40

Hoje eu vou fugir um pouco do noticiário econômico e político pra me dedicar a falar, a tentar compreender nossa sociedade.

Ontem, eu que sou um pedestre convicto, e pedestre é aquele que gosta de andar e olhar ao redor, fui caminhar por alguns bairros da cidade de São Paulo na região central, algumas nobres.

Interessante que fiz algo semelhante dias atrás quando estive em bairros da periferia também caminhando e olhando ao redor.

E o que nos cerca em ambas as regiões, portanto parece ser a média da cidade, não é nada animador.

Vi uma sucessão de casas que com cercas elétricas e arames farpados em rolos, os mesmos usados para cercar e proteger áreas militares ou outras de segurança nacional. Presídios costumam ter, além dos muros altos, os mesmos equipamentos de segurança.

E, convenhamos, estamos falando de presídios, unidades das Forças Armadas e áreas de segurança nacional. Faz algum sentido esse nível de proteção agressiva aos olhos e eficiente contra o inimigo.

Mas em casas, residências ou mesmo condomínios?

Sei que isso existe, não fujo à realidade que conhecemos todos, que as cercas elétricas têm separado as pessoas das ruas que se tornaram inóspitas e inseguras Sei de tudo isso. Claro que sei.

Mas me questiono sobre o quanto estamos perdendo da capacidade de indignação.

Pode ser necessário, pode ser que algumas pessoas não vejam outra alternativa, até porque não são todas, mas não é natural ver uma casa residencial protegida de cercas elétricas.

É dessa indignação perdida a que me refiro.

A violência urbana é uma realidade. Sei disso. Mas o aparato de segurança, a polícia, de quem reclamamos no primeiro momento quando nos vemos aflitos e ameaçados são apenas a ponta final de tudo isso.

O começo de tudo é como estamos formando nossa sociedade.

E aí a sensação é que estamos perdendo a guerra.

Não a da violência apenas.

Mas a de conseguirmos ser uma sociedade decente neste país.