As perplexidades do Congresso e os medos após prisão de Cunha

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 20/10/2016 08h08
Brasília - O vice-presidente Michel Temer recebe do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, a Medalha do Mérito Legislativo 2015 (Antonio Cruz/Agência Brasil)Eduardo Cunha e Michel temer - AGBR

O mundo político em Brasília ficou perplexo, claro!, com a prisão de Eduardo Cunha. Em primeiro lugar, porque ela era dada como certa, só não se se sabia a hora. Em segundo, porque aconteceu.

Fiquemos no primeiro aspecto. Como Sergio Moro havia dado, 48 horas antes, 10 dias para Cunha apresentar sua defesa prévia justamente nesse processo que o levou à cadeia, não se esperava que tal decisão fosse tomada nesse intervalo. Moro, no entanto, não tem compromisso com a ortodoxia.

E, e é evidente, começou o ciclo de especulações sobre a possível delação premiada do ex-deputado. O procedimento não foi descartado por Paulinho da Força (SD-SP), seu fiel escudeiro. Voltarei a esse assunto em outro post.

O governo e os governistas preferiram não comentar o episódio — no que, convenham, fizeram muito bem. Comentar o quê? Qualquer fala meio impensada vira um tsunami de problemas.

Quem saiu gazeteando pelos corredores e salões do Congresso que o governo Temer passou a ter uma corda no pescoço foram os oposicionistas, muito especialmente os petistas.

Essa gente é, a seu modo, curiosa. Antonio Palocci está preso sob a acusação, entre outras, de criar facilidades para a Odebrecht, e os companheiros não veem um Lula enrascado!?!?!? Mas anteveem a queda do governo com a prisão de Cunha e sua eventual delação premiada. É mesmo?

Pode ser que a realidade se complique para Temer? Até pode. Vamos ver. Uma coisa, no entanto, é certa: o então vice não tinha, como é sabido, instrumentos para aquinhoar este ou aquele. Que se tenha notícia, ninguém procurou envolvê-lo pessoalmente com safadezas. Se houver um ponto fraco, será o PMDB. Isso à parte, não existe razão para antever que o governo Temer cairá se Cunha botar a boca no trombone.

Com tudo o que se sabe e tudo o que vazou sobre a Lava-Jato até agora, o presidente, ele mesmo, não saiu arranhado. Mas, de fato, há o risco de que não se possa falar o mesmo sobre seus ministros. E se, em muitos casos, for até uma solução?

Se os auxiliares de Temer se complicarem? Bem, terão de ser trocados, essa é a regra. Por enquanto, o que se vê é muito foguetório. Acrescento: ainda que se queira ligar Cunha a Temer, o fato é que aquele nunca foi tão próximo deste como Palocci foi de Lula.

Talvez o senador Lindbergfh Farias devesse comemorar a coisa com mais parcimônia e voltar as suas energias para o seu próprio partido. Até porque, vamos convir, uma eventual queda do governo Temer não teria o condão de levar o PT de volta ao poder.

As eleições deste 2016 evidenciaram  o peso que tem a legenda. Está na lona.