Perspectivas ainda mais medonhas na Síria

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 06/04/2017 11h20
DDM09 DOUMA (SIRIA) 04/04/2017.- Varios niños heridos esperan a recibir tratamiento médico en un hospital de campaña tras un ataque aéreo perpetrados supuestamente por las fuerzas leales al gobierno sirio en la ciudad sitiada de Douma, Siria, hoy, 4 de abril de 2017. Más de 30 personas han resultado heridas y una ha muerto en el ataque. EFE/Mohammed BadraCrianças feridas esperam para receber tratamento médico após ataque do governo da Síria em Douma

Quem é pior? Bashar Assad ou o Estado Islâmico? O ditador genocida utiliza armas químicas. Os jihadistas ensandecidos degolam. Quem é pior? É um papo tão cansativo como cotejar Hitler e Stálin. Até terça-feira, Donald Trump achava que era o Estado Islâmico. A química mudou em relação a Assad.

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Exaustivo também é o esforço para formular uma estratégia para uma guerra civil na Síria que é uma das grandes vergonhas da humanidade neste começo de século. Claro que não existe solução à vista, sequer existe um processo diplomático decente. A Síria não é para amadores e nem para profissionais. Ela é para gente que circula no coração das trevas como Assad e os bandoleiros do Estado Islâmico.

Um ponto muito grave, porém, é o fato de Assad ser o presidente de um estado constituído, enquanto o Estado Islâmico não passa de uma experiência fugaz (embora atroz) de controle de imensos nacos de território num fim de mudo que eu rotulei de Siraque, Síria + Iraque.

E Assad tem o apoio abençoado de um dos cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Rússia, numa canalhice acompanhada pela venalidade chinesa.

Trump, o aprendiz de presidente, acaba de cair na real. Como no caso do labirinto da política de saúde dos EUA, ele constata que a Síria é muito complicada. O espetáculo de bravatas, a performance de ficar culpando Barack Obama pela crise, o misterioso vexame de poupar Vladimir Putin e o erro estratégico de focar apenas no Estado Islâmico são ofuscados pela complexidade do conflito.

Na verdade, Trump não tem uma estratégia para o Oriente Médio. Ele segue as linhas mestras de Obama na região em uma versão piorada, pois sequer exibe algum tipo de compasso moral. O ex-presidente fez o que pôde para correr do Oriente Médio e o Oriente Médio correu atrás dele. Trump prefere retornar à sua zona de conforto e anunciar que o fim do Estado Islâmico está próximo. E o da crise síria como um todo se Assad permanece no palácio em Damasco?

Com menos de 100 dias de governo, Trump só tem a oferecer surrados slogans eleitorais e perspectivas medonhas. Uma opção é comprovar que não passa de um blefe, mais preparado para atuar em reality-show do que na realidade. A outra realidade é caso se comporte como o adolescente bully e apronte alguma na Síria ou na Coreia do Norte sem medir as consequências.