Petistas se preocupam com números de pesquisa de intenção de voto

  • Por Jovem Pan
  • 07/04/2014 10h20

Reinaldo, mais uma pesquisa, agora do Datafolha, traz números bons para a presidente Dilma. Mas os petistas voltaram a ficar preocupados, por quê?

Porque eles não são tão bons como parecem, e eu vou lembrar aqui alguns números de pesquisas anteriores para evidenciar a razão do nervosismo. Segundo o Datafolha, se a eleição fosse hoje, e ela não é, no cenário mais provável Dilma teria 38% das intenções de voto. Perdeu seis pontos em relação à fevereiro. O tucano Aécio Neves segue com 16 e Eduardo Campos, do PSB, oscilou de 9% para 10%.

Se isso se repetisse em Outubro, Dilma seria eleita no primeiro turno. Mas duvido que vá acontecer. Porque? A avaliação da gestão de Dilma é muito parecida com a do governo Lula em Abril de 2006. 37% diziam que era “bom ou ótimo”, hoje 36%. 38% que era “regular”, hoje 39%. E 23% que era “ruim ou péssimo”, hoje 25%.

Também os índices eleitorais são semelhantes. Em Abril de 2006 Lula tinha 40% das intenções das intenções de voto, hoje Dilma tem 38%. E o tucano Geraldo Alckmin aparecia com 20%. E Lula não conseguiu se re-eleger no segundo turno, ficou com 48,61% dos votos. Os 20% de Alckmin se transformaram em 41,64% nas urnas, no dia primeiro de Outubro de 2006.

A eleição de 2010 assusta os petistas um pouquinho mais, nem tanto pelo resultado final. No segundo turno Dilma obteve 56,05% dos votos válidos, e o tucano José Serra 43,95%. O susto está em outro lugar. Em Abril de 2010 achava a gestão Lula “ótima ou boa” 73% dos entrevistados, é mais do que o dobro do que se tem hoje, 36%.

Diziam ser “só regular” 26%, 17 pontos percentuais a menos do que agora, 39%. Viam-na como “ruim ou péssima”, em Abril de 2010, apenas 5% dos entrevistados, um quinto do que se tem hoje, 25%. Com uma avaliação como aquela era praticamente impossível o governo vencer a eleição. E venceu, como se sabe, mas não no primeiro turno.

Notem, em 2010 a maioria deixava claro que não queria mudar quase nada no país, mesmo assim Serra chegou ao segundo turno. Em 2014, já registrou o ibope, 64% dizem esperar um governo completamente diferente. 63% desses 64%, ou 40,32%, querem mudar de rumo e de presidente. No DataFolha são 72% que querem mudança, um número muito superior à soma dos votos de Aécio e Campos, 26% hoje.

Há quatro anos a esmagadora maioria queria conservar a administração, hoje quer mudá-la. Falta agora que Aécio Neves e Eduardo Campos se identifiquem com a transformação. Eles têm a seu favor o fato que 57% dizem conhecer Dilma muito bem. Apenas 17afirmam o mesmo de Aécio e 8% de Campos. Nunca ouviram falar de Dilma apenas 1% dos entrevistados, número que chega a 25% no caso do tucano e a 42% do candidato do PSB.

Mesmo assim a rejeição aos três é a mesma, 33% no Datafolha. Conculsão: muita gente rejeita Dilma porque a conhece bem. E muitas rejeitam Aécio e Campos porque não os conhecem.

Os números me autorizam a dizer que haverá sim segundo turno, que a disputa não será fácil para a presidente e que o risco de derrota do petismo é o maior de 2002 para cá. Isso ajuda a entender a urucubaca de Rui Falcão, o presidente do PT, sobre Dilma. Referindo-se à candidatura dela disse que “irreversível é só a morte”. Vá se benzer presidente.