Pingo Final: Jaques Wagner se finge de bobo ao justificar pedaladas para financiar empresas

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 27/10/2015 10h43
BRASILIA, DF, 22.10.2015 - DILMA-LOTERICOS- O ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, a presidente Dilma Rousseff e o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, durante a cerimônia de sanção da lei que dispõe sobre a atividade do lotérico, no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, 22.(Foto:Ed Ferreira / Brazil Photo Press/Folhapress)Jaques Wagner (primeiro plano) ao lado da presidente Dilma e do ministro Ricardo Berzoini

O ministro Jaques Wagner, da Casa Civil, veio a público para defender as pedaladas fiscais que contribuíram para financiar as grandes empresas, conforme revelou a Folha nesta segunda.

Ah, bom! É que a gente tinha entendido que, segundo a presidente Dilma, as ditas-cujas haviam financiado apenas programas sociais. Então era mentira, mesmo, certo?

Segundo ele, tudo foi feito para gerar empregos. Entendo… Disse ele:
“Fui governador [da Bahia] e sou testemunha de que não teriam chegado muitas empresas em meu Estado se o BNDES não bancasse esses investimentos com juros compatíveis com o mercado internacional. O outro lado da moeda é igual. Acabamos de fechar contrato [para fornecimento de caças] com a Gripen da Suécia. Claro que o banco de desenvolvimento sueco nos ofereceu juros convidativos abaixo do mercado para que a gente conseguisse realizar a compra. É um caminho normal, com retorno extremamente positivo de geração de emprego e de desenvolvimento de regiões mais deprimidas, como o Norte e o Nordeste”.

Não consta que o governo sueco tenha pedalado para financiar os caças…

Wagner só está se fazendo de bobo, porque bobo ele não é. Sabe que não se está discutindo uma política de incentivo a este ou àquele setor da economia. Tampouco está em debate o caráter do BNDES. Não que isso não possa e não deva ser tempestivamente debatido. Fazer de conta que a atuação desse banco, no Brasil, é um dado da natureza é uma picaretagem. Mas não é isso que está em debate agora.

O ponto é rigorosamente outro. A questão está na dupla mentira contada. A primeira diz respeito às contas propriamente; e a segunda, à justificativa. As contas eram mentirosas porque governo omitiu as pedaladas. E depois se justificou o crime, atribuindo os gastos apenas às políticas sociais.