Pingo Final: Por enquanto, criação de “PMDB dilmista” está distante

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 01/10/2015 11h34

Gilberto KassabGilberto Kassab

Na madrugada de ontem, afirmei aqui no Jornal da Manhã o seguinte sobre a criação do PL (Partido Liberal), que tem como arquiteto Gilberto Kassab, ministro das Cidades e comandante inconteste do PSD:
“Até onde sei, o pleito deve ser recusado. E restará ao Planalto apenas o sabor amargo de ter sido flagrado tentando quebrar a espinha do PMDB — e não é a primeira vez.”

Qual a razão do post? O TSE julgaria um recurso do grupo que pretende criar a nova legenda. O pedido era que algumas assinaturas fossem validadas. O Planalto foi flagrado manobrando para facilitar a criação da nova agremiação. Não deu certo e dificilmente dará a tempo de o PL disputar eleições no ano que vem.

O ministro Tarcísio Vieira, relator do pedido de registro no TSE, votou pela rejeição do recurso e, pois, pela manutenção de decisão anterior do tribunal, que havia indeferido o pedido.

O julgamento foi suspenso em seguida porque Dias Toffoli, presidente da corte, pediu vista. O registro teria de ser concedido até sexta-feira para o PL poder disputar eleições em 2016.

Ocorre que o objetivo não é esse. A pretensão de Kassab era patrocinar a recriação do PL — que poderia atrair, estima-se, até 28 parlamentares — e depois fundi-lo com o seu PSD, naquele que poderia roubar do PMDB a condição de maior partido na Câmara.

Dificilmente Toffoli entregará até sexta seu pedido de vista, a tempo de ser votado pelos outros cinco ministros. Mais: que eu saiba, a maioria votaria contra por considerar que não se cumpriu o requisito das assinaturas.

Mas nem por isso o pessoal vai desistir. Doravante, no entanto, para criar uma legenda, será preciso fazê-lo segundo as novas regras: os apoiadores da criação de um novo partido não poderão estar filiados a nenhuma sigla; as fusões só poderão ser feitas depois que um partido tiver ao menos cinco anos de registro definitivo.

Se Kassab lograsse seu intento agora, a sigla que resultasse da fusão PSD-PL, na melhor das hipóteses para a turma, poderia chegar a 62 deputados — o PMDB conta com 66 hoje. Como se estima que perderia alguns para a nova legenda, o ex-prefeito de São Paulo passaria a comandar um “novo PMDB”, só que governista.

Não vai acontecer.

E, claro!, o Planalto foi flagrado em mais uma manobra contra seu principal aliado formal. Isso sempre dá errado para os petistas, mas eles insistem.

Por Reinaldo Azevedo