Pingo Final: prisões e o bueiro do inferno de comunas e fascistoides

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 16/01/2017 10h21
Manaus - Quadra 34 do Cemitério Parque Tarumã, onde estão enterrados os dententos mortos na rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Quadra 34 do Cemitério Parque Tarumã

O governo federal precisa articular, sim, uma resposta à altura do problema na questão dos presídios, antes que a demagogia de esquerda e a estupidez da direita mais rombuda ocupem o lugar do debate, o que, vamos convir, costuma acontecer com certa frequência. Repetindo uma amiga, a diferença entre as redes sociais e o bueiro do inferno é pequena — ligeiramente favorável ao esgoto infernal…

Aqui e ali, os colunistas da sinistra já associam o caos nos presídios ao suposto arrocho do governo Temer. Os companheiros e camaradas fingem acreditar que os bandidos queriam mesmo é trabalhar de carteira assinada. Como o sistema é capitalista e selvagem, então eles saem por aí cortando cabeças.

Bueiros são bueiros, né? Já recebi de comunistas e de fascistoides continhas feitas no joelho da impostura que transformam os gastos com presídios em escolas, como se fossem essas coisas permutáveis.

Ignorar que as iniquidades sociais do Brasil contribuem para levar ao paroxismo a violência corresponde a negar a importância de políticas públicas em favor da educação, da saúde e da segurança. Ignorar a necessidade de conjugar ações de longo prazo, que diminuam a estúpida desigualdade vigente no país, com políticas mais consequentes de repressão ao crime é igualmente energúmeno.

Recebo aqui e ali mensagens indignadas. As pessoas acham um absurdo que o estado brasileiro tenha de indenizar a família de bandidos mortos nos presídios. E tem! É uma questão de civilização! Se o estado não garante a segurança de quem está sob sua guarda, seja criminoso ou não, quem irá fazê-lo?

Num país em que o abuso de autoridade é regra, qualquer pessoa pode ser vítima de uma arbitrariedade — inclusive você, que me lê neste momento. O estado que prende tem de garantir o bem-estar do preso enquanto… preso! Vejam o que acontece mundo afora: países cujas prisões são pocilgas transformam num chiqueiro também a vida das pessoas comuns.

Não dá mais para esperar.

O crime organizado está muitos lances à frente. E o estado brasileiro tem de reagir. E o primeiro passo é retomar o território que hoje está sob seu domínio: os presídios.