Planalto dizer que é neutro sobre disputa na Câmara é disfarçar as evidências

  • Por Jovem Pan
  • 16/01/2017 11h52
Brasília - Presidente Michel Temer durante coquetel com parlamentares da Base Aliada na residência oficial do Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Rodrigo Maia. (Carolina Antunes/PR)Michel Temer afaga presidente da Câmara Rodrigo Maia e vice-versa - PR

Michel Temer tem feito o discurso de que não influencia na disputa à presidência da Câmara. A fala se dá porque a eleição entre deputados deve opor partidos da base aliada. Além de Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Casa que tenta a reeleição, dois candidatos da base do governo estão no páreo: Rogério Rosso (PSD-DF) e Jovair Arantes (PTB-GO).

A expectativa, porém, é de que Rosso abandone a disputa ainda nesta semana. Seu partido já está apoiando Maia.

Maia esteve em um encontro com dois assessores diretos de Temer. Moreira Franco, sogro de Maia e um dos braços direitos do presidente, participou de um jantar secreto em que estiveram também o ministro Gilberto Kassab (Comunicações), o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves. Nessa refeição, foi negociada a saída de cena do PSD.

O discurso de neutralidade vale para não criar um paiol na base aliada. Mas, na verdade, o presidente torce e liberou seus auxiliares para atuar pela reeleição de Rodrigo Maia. Um dos auxiliares de Temer disse, inclusive, que o deputado deve ter 370 votos, mostrando que a preocupação é até numérica.

Temer acha que Rodrigo Maia é o melhor, entre os candidatos, para tocar as pautas que o governo tentará emplacar em 2017: reformas da previdência, tributária, trabalhista,

Maia teria mais estatura que os outros candidatos, capilaridade na Câmara e o importante apoio do PSDB.