Por que torci por Hillary e contra Trump

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 10/11/2016 07h35
MCX36 NUEVA YORK (ESTADOS UNIDOS) 08/11/2016.- El candidato republicano a la Presidencia, Donald Trump, da un discurso durante la fiesta electoral organizada por sucampaña en el New York Hilton Midtown de Nueva York (Estados Unidos) en la noche del 8 de noviembre de 2016 mientras continúa el recuento de votos. El republicano Donald Trump se proclamó hoy vencedor de los comicios presidenciales celebrados el martes en Estados Unidos y dijo que había recibido una llamada de Hillary Clinton felicitándolo por su victoria en las urnas. EFE/SHAWN THEW EFE/SHAWN THEW Donald Trump discursa em Nova Iorque após vencer disputa à Presidência dos Estados Unidos

Estamos vivendo um momento histórico, surpreendente e incerto com a vitória de Donald Trump na eleição americana. Mas este boletim é pessoal, pouco informativo. Eu, Caio Blinder, torci acintosamente por Hillary Clinton. Uma torcida que não entortou minhas ferramentas analíticas.

Errei na minha avaliação sobre Trump por não ter conseguido enquadrá-lo. Estimei que um sistema democrático como o americano não iria consagrar o populismo reacionário do estilo Trump. O país como qualquer outro pode desgalhar, mas calculei que iria encontrar um ponto de equilíbrio e Hillary, apesar de tantas deficiências, estava mais próxima deste equilibrio. O sistema não iria absorver Trump, um demagogo profissional, um mero vendedor, um paladino do nacionalismo nostálgico. Errei, é claro.

Sobre torcer, nenhum escândalo. Faço um trabalho de comentarista, não sou agência de notícias. E comento de acordo com meus valores e o que considero mais adequado. Está no meu direito se indignar menos ou mais com político A ou B.

Vivo há muito tempo nos Estados Unidos e, ironicamente, por esta razão, não sou um esquerdista idiota como estão vociferando tantos nas redes sociais. Adoro este país e seus valores, os valores de diversidade e de tolerância. Por esta razão torci contra Trump. Sua eleição significa a normalização do preconceito e da intolerância no escalão mais alto, no escalão supremo.

Eu também considero Trump um retrocesso na promoção dos melhores valores americanos no mundo. Como diz meu guru Ian Bremmer, da consultoria Eurasia, não dá para calcular isso em valores monetários, em dólares. Eu quero os americanos liderando o mundo por exemplo. Mas a visão de Trump das relações internacionais é transacional, ele está se lixando para questões como direitos humanos.

Obviamente que um país tem interessses e as vezes eles atropelam os valores. Mas, para Trump, tudo é uma transação e os americanos sequer devem ter uma obrigação com aliados tradicionais. No entanto, nem tudo é negócio. Existem fatores como amizade e solidariedade.

Não vamos esquecer que os Estados Unidos venceram a União Soviética não apenas devido ao seu poderio, mas por se apresentarem ao mundo como um modelo excepcional. A definição de excepcional para Trump é diferente, é ele mesmo.