Preparem-se para abalos cada vez mais fortes na Síria

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 29/06/2017 08h53
Bashar al-Assad - reprodução

Em uma das atitudes mais inglórias em oito anos de governo, Barack Obama amarelou após fixar uma linha vermelha que não podia ser ultrapassada pelo regime genocida de Bashar Assad pelo uso de armas químicas contra o próprio povo sírio.

Em pouco mais de cinco meses de governo, Donald Trump engrossa a linha vermelha. Em primeiro lugar, para contrastar com o amarelo de Obama e entre as outras razões por ser impulsivo, não medindo as consequências e as complexidades do mosaico geopolítico do Oriente Médio. No entanto, existe também uma lógica plausível para engrossar a linha vermelha.

Esta semana, o governo Trump disparou alertas contra Assad, advertindo que pagará um “preço pesado” se voltar a usar gás contra sua população. Em abril passado, o regime matou dezenas de civis com o uso de gás sarin e os americanos, em retaliação, dispararam dezenas de mísseis contra uma base militar síria, em uma reação de peso mais político do que militar.

Talvez uma nova investida americana seja mais efetiva, mas não fulminante. O regime de Assad, motivado por ter recuperado a iniciativa na guerra civil, está determinado a recuperar o controle de todo o país, a qualquer preço, em uma corrida com grupos rebeldes apoiados pelos americanos e sauditas. Assad corre para reconquistar território que fora ocupado pelo movimento terrorista Estado Islâmico.

Os sustentáculos de Assad são significativos: os russos (e sua Força Aérea), os iranianos e a milícia xiita libanesa Hezbollah. A desenvoltura cada vez mais avermelhada do governo Trump na verdade tem Assad como alvo secundário.

A mensagem principal com os alertas está sendo disparada contra o Irã, para a satisfação dos sauditas, com os quais Trump está alinhado abertamente, enquanto a aposta de Obama fora criar uma espécie de linha cinzenta nas placas tectônicas do Oriente Médio, algo inaceitável para o presidente laranja.

Portanto, preparem-se para abalos cada vez mais fortes na região, com o amarelo do fogo e o vermelho do sangue.