Proximidade de chefão do PT e Alberto Yousseff causa estranheza

  • Por Jovem Pan
  • 01/04/2014 11h22

Reinaldo, mais um chefão do PT bem pertinho do doleiro Alberto Yousseff. A coisa parece bem estranha, hein?

E como, desta feita é o deputado André Vargas do PT do Paraná, que é também vice-presidente da Câmara e do Congresso. É aquele senhor, os ouvintes devem se lembrar, que na abertura do ano legislativo, na presença do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, ergueu o punho esquerdo cerrado em homenagem aos mensaleiros. Tem biografia controversa.

Em março do ano passado, reportagem da revista Veja revelou que o militante petista chamado André Guimarães, especializado em montar perfis falsos nas redes sociais para atacar pessoas, era funcionário de Vargas. Esse tal Guimarães foi, por exemplo, o criador da Rede PT 13, uma organização virtual formada por gente que não existe, por blogs apócrifos usados para alvejar aqueles que são considerados inimigos do PT.

Pois bem. Reportagem da Folha desta terça informa que Vargas pegou emprestado um avião com o doleiro Alberto Yousseff, principal investigado da operação Lava Jato da PF.

Yousseff, que está preso, é acusado de envolvimento com o esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado 10 bilhões de reais. A viagem a João Pessoa foi discutida numa conversa entre os dois por um serviço de mensagem de texto, no dia 02 de Janeiro. Não fica claro se o avião pertence ao doleiro, que desejou ao deputado “boa viagem e boas férias”.

Adivinhem qual foi a resposta de Vargas à Folha quando indagado a respeito. “Eu não sabia com que eu estava me relacionando, não tenho nenhuma relação com os crimes que ele eventualmente cometeu”. Não sabia, embora admita que conhecia o doleiro há 20 anos. É a segunda vez que o nome de Yousseff aparece ligado ao figurão do PT.

Outra reportagem da Veja, publicada no dia 23 de Março, informa que uma empresa chamada Labogen assinou com o Ministério da Saúde um contrato de 150 milhões para o fornecimento de remédios. 30 milhões desse dinheiro são destinados á compra de citrato de cinedalfila, o princípio ativo do viagra, substância usada no tratamento de uma doença grave, hipertensão arterial pulmonar. Eu comentei esse assunto no dia 24 do mês passado.

A PF descobriu que essa empresa não tem planta industrial e que os remédios seriam fabricados por outro laboratório, ao qual a Labogen repassaria 40% do contrato. Ou por outra, a turma pagaria 60 milhões pelo produto e embolsaria nada menos de 90 milhões, uma beleza.

E o que isso tem a ver com o doleiro? Segundo a polícia a Labogen, que tem capital, atenção, de apenas 28 mil reais, é um dos instrumentos de lavagem de dinheiro de Yousseff. Só essa empresa teria arremetido ilegalmente para o exterior 37 milhões de dólares. O contrato foi celebrado pelo então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo.

Assim, a PF descobriu outro diálogo entre André Vargas, que é um dos braços de Lula no PT, e Yousseff. Sobre avião? Não. Vargas diz ao doleiro que a reunião com Gadelha foi boa de mais. Num outro momento, cheio de intimidade, diz: “o Gada vai nos ajudar.” Quem é Gadelha? O “Gada”, ouvintes amigos, conto pra vocês: é o secretário de Ciência e Tecnologia em sumos estratégicos do Ministério da Saúde, justamente um dos responsáveis pela compra de remédios. Não é lindo?