PT decide enfrentar Eduardo Cunha na disputa pela presidência da Câmara

  • Por Jovem Pan
  • 11/12/2014 11h42

Reinaldo, então o PT decidiu enfrentar Eduardo Cunha na disputa pela presidência da Câmara?

Parece piada, mas é verdade. A bancada do PT na Câmara decidiu lançar a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à Presidência da Casa para enfrentar a postulação de Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB.

Até aí, tudo bem. O PT tem a maior bancada, havia um acordo informal de que os dois partidos se revezariam no cargo ? hoje com um peemedebista ? etc. O que impressiona é outra coisa: a decisão foi tomada depois de uma reunião de petistas com Luiz Inácio Lula da Silva.

Sim, é isto mesmo: quem se ocupou do assunto não foi o presidente do PT. Quem se ocupou do assunto não foi o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Quem se ocupou do assunto não foi o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. O ex-presidente da República, metendo-se a articulador do governo Dilma no Congresso, resolveu arrumar um adversário para Cunha.

Pois é. Os dias que vêm pela frente não são nada suaves, não importa o ângulo pelo qual se olhe. Por que os petistas têm de atravessar a rua para comprar essa briga, a não ser pela glória do mando?

Qualquer resultado será objetivamente contraproducente: se Cunha vencer, ruim para o governo; se ele perder, péssimo. A razão é simples: uma eventual vitória do peemedebista fica ainda mais na dependência da adesão de parlamentares que se opõem ao governo, não?

O bloco de apoio a Chinaglia seria formado por PT, Pros, PC do B, PDT, PHS e PEN, além do PSOL, que é oposição. Só com isso, não dá para vencer. Será preciso rachar o grupo que hoje apoia o líder peemedebista. Um acordo com a oposição está fora de cogitação. Duvido que esta viabilize um terceiro nome para facilitar a vida dos petistas.

Como os companheiros já estão com a boca torta pelo uso do cachimbo, houve quem defendesse na reunião que o Planalto entrasse pesado no apoio ao candidato petista, envolvendo na pressão cargos no futuro governo. Foi preciso que o próprio Chinaglia deixasse claro que não era uma boa ideia.

E, vejam vocês, os companheiros têm um desprezo pelos aliados que chega a ser comovente. Indagado se o PT apoiaria um candidato de outro partido, afirmou o deputado José Guimarães (PT-CE): “Sacode, sacode e não surge nome melhor do que do PT”.

Pois é. Os companheiros seriam capazes de propor a substituição dos membros próprio Olimpo por militantes do partido. Afinal, quem são os deuses olímpicos perto dos petistas?