Que interesses as empreiteiras envolvidas na Lava Jato e Cardozo têm em comum?

  • Por Jovem Pan
  • 16/02/2015 14h10
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Reportagem da revista VEJA desta semana revela o encontro quase secreto que mantiveram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e o advogado Sérgio Renault, que defende os interesses da UTC Engenharia.
A UTC é uma das empreiteiras suspeitas de envolvimento no escândalo do Petrolão, cujo dono, Ricardo Pessoa, amigo do ex-presidente Lula está preso em Curitiba.
O ministro disse que o encontro aconteceu por acaso e garantiu que nada foi conversado sobre a Operação Lava Jato, mas fontes da revista desmentem Cardoso. Dizem que o ministro da Justiça desaconselhou a UTC a fazer acordo de delação premiada e garantiu que a Operação Lava Jato mudaria radicalmente de rumo, beneficiando os empreiteiros presos.
Coincidência ou não, depois do encontro com o ministro, representantes das empresas UTC e Camargo Correa suspenderam as conversas com os procuradores que caminhavam para uma possível.
Por incrível que pareça, essa não foi a única reunião entre o ministro Cardozo e advogados das empreiteiras denunciadas no Petrolão. Segundo a Folha, teriam sido pelo menos três os encontros – e somente este mês.
Como se sabe, José Eduardo Cardoso é o chefe da Polícia Federal, que, ao lado do Ministério Público Federal, investiga o escândalo na Petrobras.
Então, há que se perguntar:
De que assuntos tratava Cardozo, a portas fechadas, em seu gabinete, com advogados de empreiteiras suspeitas de corrupção? O que têm os doutores a pedir ao ministro? O que tem o ministro a oferecer aos advogados das empreiteiras? Que interesses ambos têm em comum?
Escandalizado com o caso, o ex-ministro Joaquim Barbosa, relator do caso Mensalão, defendeu, no twitter, este fim de semana, a demissão de José Eduardo Cardozo.
“Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça”, escreveu Barbosa.
Gato escaldado, ele sabe até onde pode ir a ousadia dos poderosos. Para quem não se recorda, durante o processo do mensalão, ministros do Supremo foram constrangidos pelo ex-presidente Lula a adiarem o julgamento da ação, para limpar a barra da cúpula petista e assegurar aos mensaleiros estrelados o “direito à impunidade”.
Tudo indica que o Partido dos Trabalhadores está se articulando mais uma vez para desacreditar delatores, juízes e investigadores, transformar em pó as evidências do escândalo, e livrar a pele de seus figurões.
Tomara que os corruptos encontrem pela frente um novo Joaquim Barbosa.
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