Questão da Petrobras em Pasadena é caso de polícia; não um caso político

  • Por Jovem Pan
  • 25/03/2014 16h20

Nêumanne, afinal, qual é a posição do Fernando Henrique: contra ou a favor da CPI para investigar o negócio de Pasadena?

Primeiro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a possibilidade de formar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o péssimo negócio que a Petrobras fez perdendo 1 bilhão de dólares num negócio que não vale nem 100 milhões. Agora, ele voltou atrás, mas já advertiu que a presidente Dilma está acima de qualquer desgaste de qualquer crítica porque, afinal, ela reconheceu o erro.

Isso aí é muito duvidoso. Primeiro, é duvidoso essa presença constante do Fernando Henrique na campanha eleitoral, porque ele é um ex-presidente, podia talvez se preservar mais, até se manter como uma espécie de reserva moral, ao contrário do que faz o seu principal adversário Lula, que vive se lançando o tempo todo na politicagem comum da campanha. Ele podia se preservar, né? Até porque eu realmente não conheço nenhum eleitor que esteja disposto a votar no Aécio porque o Fernando Henrique pede.

A segunda coisa é que a CPI realmente não tem a menor validade nesse caso. O governo controla o Congresso e, mesmo que a CPI seja convocada para atender a chantagem do PMDB, do chamado blocão, ela fatalmente levará a pizza de sempre. Nada sairá dela. Nada, a não ser talvez o noticiário do bombardeio governista em cima da oposição defendendo o indefensável. Mas sabe como é: mesmo quem defende o indefensável, repetindo muitas vezes, termina virando o jogo a favor daquilo que não pode ser defendido.

A questão é que CPI não leva a nada e o caso tem que ser conduzido pelo Ministério Público. Não é um caso político; é um caso claro de um péssimo negócio que ajudou a Petrobras a afundar na sua gestão e que tem evidências de que houve favorecimento do barão lá, que ganha dinheiro dos belgas, e precisa saber se quem favoreceu, levou, claro que levou e levou quantos milhões de dólares.

É um caso de polícia; não é um caso político. É um caso claro do Ministério Público, da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União. E a CPI seria inócua. Como inócua? Inócua é a defesa que o Fernando Henrique faz de Dilma. Dilma pisou feio no tomate como presidente do conselho administrativo da Petrobras. O fato de ela ter reconhecido isso não altera em nada, nem denota nenhuma humildade ou nobreza. E tem que se julgada como o que ela é: uma presidente que não foi muito atenta na hora de julgar um negócio desse valor.