Reinaldo tinha razão! Lava Jato fecha a 1ª etapa absolvendo o PT!

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 15/03/2017 12h10
Brasília- DF 04-08-2016 Juiz Sergio Moro na comissão especial de combate a corrupção. Foto Lula Marques/Agência PTSérgio Moro - AG. PT

O dia 14 de março de 2018 tem de entrar para a história como aquele em que o Ministério Público Federal vê concluída a primeira etapa do seu trabalho. Dedicou-se com afinco, de maneira determinada, sem tréguas, para que a previsão feita por seus magos se cumprisse. A que me refiro?

Desde o começo, incomodaram-me na Lava Jato as permanentes sugestões e afirmações de procuradores, de policiais e até do juiz Sergio Moro, segundo os quais todos os políticos e todos os partidos são iguais. As delações de ex-diretores da Odebrecht deram à Lava Jato aquilo que ela buscava: “Ninguém é inocente”. E não há por que duvidar de que a operação tenha buscado com especial afinco circunstâncias que comprovam a sua tese.

Querem ver?
Cinco ministros de elite do governo Michel Temer estão na “lista de Janot”, que já vazou nesta terça. São eles Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Bruno Araújo (Cidades), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia e Comunicações) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores).

Integram a turma aqueles que ocupam o topo do Congresso: os respectivos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE). Ah, sim, caros! A lista está em sigilo. Mas já vazaram os nomes que interessam ao processo de desmoralização da política — e essa observação não sugere que os listados sejam inocentes. Não sou juiz. Apenas constato uma realidade em curso.

Calma que, na véspera do protesto marcado pelas esquerdas, também há dois figurões do PSDB, principal adversário do PT: os senadores Aécio Neves (MG), presidente da sigla, e José Serra (SP).

Há petistas na lista? Ora, é claro! Se não fosse assim, como definir o sinal de igualdade? Lá estão Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva e Guido Mantega, por exemplo. Nesse caso, há o pedido para que os respectivos casos, ao lado de outros 208, sejam enviados à primeira instância.

A esta altura, os tontos imaginam ou inferem que eu acho que tais nomes não deveriam ser investigados ou sei lá o quê… Obviamente, isso é falso. Eu estou apontando é a forma como a história está sendo contada, perdendo-se de vista a centralidade que teve o PT nesse processo.

Eis aí o maior pecado.

Mais: quando se faz uma lista, juntam-se necessariamente alhos com bugalhos. Eventuais pessoas que tenham se corrompido, entrado na atividade pública para enriquecer, são equiparados a quem, afinal, pisou na bola ao recorrer ao caixa dois, mas criminoso não é — até porque o caixa dois ainda não é crime.

Graça e seriedade
Outro dia li um troço de um rapaz que via como um bom augúrio a lista de Janot para a manifestação “multipauta” do dia 26. Qualquer que seja a composição, entende-se que terá viés antipetista e antiesquerdista. Pois é. Janot é mesmo uma esfinge sem segredos, como disse Oscar Wilde, de forma injusta, sobre a mulher. Quem está a se divertir com a lista? As esquerdas.

Não é barato o preço a pagar por ter visto para onde caminhavam as coisas. No dia 17 de fevereiro de 2015, há mais de dois anos, escrevi em minha coluna na Folha, referindo-me aos senhores procuradores:

Os filhos do PT comem seus pais. Chegou a hora de a companheirada se tornar vítima de seus religiosos fanáticos, formados nas escolas de direito contaminadas por doutrinadores do partido e esquerdistas ainda mais obtusos. É uma pena que não só os petistas paguem o pato. Esses vetustos jovens senhores são crias de exotismos como “direito achado na rua”, “combate ao legalismo”, “neoconstitucionalismo” e afins, correntes militantes que consideram a letra da lei o lixo dos “catedraúlicos”, pecha que um desses teóricos amalucados pespegava em juízes que insistiam em se ater aos códigos. O PT de 2015 está experimentando a fúria dos “savonarolas” que criou. Eles se sentem fazendo um trabalho de depuração. E podem, com o seu ativismo, pôr tudo a perder. Os corruptos vão aplaudir a sua fúria.

Quando um bandido confesso como Sérgio Machado pega dois anos e três meses de prisão domiciliar; quando constato que delatores que contaram coisas do arco da velha têm castigo semelhante, obrigo-me a constatar: os corruptos aplaudem. Enquanto toda a chamada elite política está no patíbulo.

O PT chegou, sim, a ser vítima dos fanáticos que o petismo intelectual criou. Mas os valentes logo decidiram se corrigir. Politicamente, a lista de Janot, feita nessas condições e com esses critérios, é uma sentença de absolvição moral do PT.

Fachin decidirá se abrirá ou não inquéritos. Aposto em 83 aberturas…

E antes que se exiba uma manifestação hostil a Lula aqui e ali como evidência de que é cachorro morto, convém lembrar que este 14 de março é apenas o primeiro dia da máxima mentirosa de que “todos são iguais”, como ele vem repetindo desde 2005.