Renan Calheiros coloca empecilhos na CPI da Petrobras

  • Por Jovem Pan
  • 07/05/2014 12h57

Reinaldo, qual é o imbróglio da CPI da Petrobras desta vez?

O presidente do Senado, Renan Calheiros, que é do PMDB de Alagoas, joga em dobradinha com o governo para criar o maior número possível de empecílios à investigação das lambanças da Petrobras pelo Congresso. Renan combinou os passos com o Palácio do Planalto, e está em descompasso com o líder de seu partido na Câmara, Eduardo Cunha, do Rio.

O senador marcou para esta quarta, à noite, uma sessão conjunta do Congresso para dar início à instalação da CPI Mista. Mas também já recebeu as indicações governistas para a instalação da CPI exclusiva do Senado. Trata-se de uma verdadeira tropa de choque, que não vai querer apurar coisa nenhuma. A oposição que luta pela CPI mista, já que o governo tem menos controle da Câmara, retirou os nomes que havia escolhido. E Renan ameaça fazer ele mesmo a indicação, o que é possível.

Os petistas vão dizer que tem prevalência a CPI que for instalada primeiro, o que é uma bobagem, porque nada impede que as duas funcionem, ainda que isso seja absurdo. O objetivo é retardar o máximo possível o início de uma ou das duas CPIs, tentando arrastar a questão até junho, quando o Congresso entra em recesso antecipado por causa da Copa do Mundo. Renan se estranhou com o líder do partido na Câmara, porque o deputado Eduardo Cunha estaria disposto a indicar nomes para a CPI Mista, que não rezam exatamente pela cartilha do Planalto.

Cunha concedeu nesta terça-feira uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, aqui da Jovem Pan. Indagado sobre qual seria o papel do PMDB na CPI Mista, afirmou: “Não vamos fazer o papel nem de beque governista, nem vamos ser ponta-de-lança oposicionista. Nós vamos nos ater aos fatos, que são os fatos que tem que ser apurados.” E foi adiante: “Nós não vamos aceitar que não tenha CPI Mista, ela já está criada.” Emendou ainda: “A gente acha que tem um mal-feito, sim, na Petrobrás. Estes estão fartamente denunciados. Há um ex-diretor da Petrobrás preso, há uma série de denúncias da imprensa que precisarão ter respostas.

O governo sabe que não poderá impedir a CPI Mista, e pretende usar a do Senado para encurralar a oposição. Um dos participantes da reunião que definiu a estratégia do governo, que juntou Dilma, Renan, e os ministros Ricardo Berzoini, das Relações Institucionais, e Aloizio Mercadante, da Casa Civil, resumiu: vai ser olho por olho, dente por dente. A Petrobrás tem turbina da Alstom, e deu dois bilhões para que a empres Comgás, do governo de Pernambuco, fizesse obras no entorno de Abreu e Lima. A conexão já existe.

Vale dizer, o governo pretende transformar a CPI da Petrobrás na tal CPI Xis-Tudo. A ordem é impedir que se investigue a estatal. Eles devem saber porque têm tanto medo. Em parte ou menos, nós também já sabemos.