Revolução dos idiotas 1 – PT faz direita xucra zurrar de prazer

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 13/02/2017 07h48
ABR - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso nos Arcos da Lapa

Todos os movimentos políticos, de caráter revolucionário ou reformista, têm sempre de lidar com dois grupos de pessoas relativamente perigosos, que atuam em parceria: os oportunistas e os idiotas — sendo estes, obviamente, manipulados por aqueles. E é claro que estão em todos os lados da porfia: à direita, à esquerda, centro, acima, abaixo. Idiotas e malandros são tipos universais.

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Os oportunistas enxergam na luta política só uma maneira de obter vantagens, e os idiotas atuam sem levar em conta ações táticas e escolhas estratégicas.  Como não têm um diagnóstico da realidade — vale dizer: não entendem o que está em curso —, o seu prognóstico apela ao irrealizável. Está dada a questão de fundo. Agora vamos ao ponto: esquerdistas dos mais variados matizes, neste momento, cavalgam a direita xucra e tentam encontrar o caminho da volta ao poder. É claro que eu explico. Mas, antes, é preciso complicar mais um pouco.

Por que Dilma foi deposta?
Para que o leitor não se perca em devaneios, é preciso que dê a si mesmo uma resposta — se é que está entre aqueles que defenderam o impeachment de Dilma e foram às ruas. Se aquele que me lê agora é um esquerdista, dispensa-se o exame de consciência: basta continuar cavalgando a direita xucra.

Sim, eu era favorável ao impeachment. Era a opinião de um cidadão. Está documentado, fui o primeiro jornalista da grande imprensa a sustentar que Dilma tinha um encontro marcado com a deposição. Eu o fiz num vídeo para a Jovem Pan antes da reeleição de 2014. E por que eu quis o impeachment? Bem, do ponto de vista jurídico, porque a então presidente cometeu crime de responsabilidade. Do ponto de vista político, porque estava conduzindo o país à ruína econômica. E que papel jogou aí a corrupção? Vamos ver.

O PT de 2016 não era mais corrupto do que o de 2005. Aliás, em razão das investigações já em curso, deveria ser até menos. Naquele ano, quando explodiu o mensalão, será que uma denúncia contra o presidente Lula teria recebido o apoio de dois terços da Câmara? Resposta: não! Com a economia em crescimento e com as camadas populares razoavelmente satisfeitas com o governo — tanto é que Lula se reelege com facilidade em 2006 —, uma proposta assim teria sido rechaçada. A esmagadora maioria deu de ombros para a corrupção, eis a verdade, e escolheu o que considerava ser a estabilidade, com ampliação de benefícios sociais. Pobres daqueles que ousavam dizer, como fazia certo Reinaldo Azevedo: “Esse modelo vai nos conduzir ao colapso”. Vinha porrada de todo lado!

Eu queria o PT fora do poder em razão dos seus corruptos? Também. Mas fosse esse o critério exclusivo, seria o caso de propor a extinção do Estado.  A corrupção é um dos elementos que me fazem ser vigilante contra qualquer partido, mas eu quis o impeachment de Dilma porque: – ela cometeu crime de responsabilidade; – ela conduzia o país à ruína econômica; – O PT, esquerdista que é em essência, assaltava também a institucionalidade, não apenas os cofres.

ATENÇÃO PARA ISTO: O PARTIDO QUE LEVOU DILMA ROUSSEFF A COMETER CRIME DE RESPONSABILIDADE — E SÓ POR ISSO ELA CAIU — NÃO FOI o PT LADRÃO DO CAIXA, MAS O PT LADRÃO DE INSTITUIÇÕES.

Ora bolas! Eu não me opus e não me oponho ao PT só porque a Lava Jato revelou que aquilo era um valhacouto. Criei o termo “petralhas” antes de Lula vencer a disputa pela primeira vez, em 2002. Eu denunciei a natureza autoritária e aparelhista dos companheiros quando ainda tinham fama de honestos. Ou você que me lê seria um petista se lá só houvesse santos? Eu não seria. Então a corrupção é irrelevante? A pergunta é estúpida. É claro que não. A honestidade é um imperativo.

Por que isso tudo? Porque, e outros textos vêm na sequência, a direita xucra está assanhada. Esses tontos já deram um trabalhão no ano passado. Ora desafiados por esquerdistas e manipulados por oportunistas e teóricos da conspiração, os xucros querem tomar às ruas, agora tendo como alvo o governo Temer.

As esquerdas largam o chicote no lombo da direita burra, e esta sai por escoiceando manifestos.