Se Yousseff fala a verdade, Collor recebeu R$3mi em propina

  • Por Jovem Pan
  • 24/02/2015 08h50
Doleiro Alberto Yousseff sofre infarto em Curitiba

Reinaldo, então a lama junta passado e presente no Brasil? Como assim?

Infelizmente, sim. Que coisa, né? Se o doleiro Alberto Youssef falou a verdade — e ele fez um acordo de delação premiada —, quem um dia foi rei nunca perde a majestade, como reza um velho clichê. Segundo informam Stelita Hass Carazzai e Flávio Ferreira, na Folha  desta terça, Youssef disse a procuradores que o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), ex-presidente da República e hoje um dileto aliado do lulo-petismo, recebeu R$ 3 milhões de propina como resultado de um negócio da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, com uma rede de postos de gasolina.

O intermediário da tenebrosa transação teria sido Pedro Paulo Leoni Ramos, dono da GPI Participações e Investimentos e amigão de fé, irmão, camarada de Collor. Durante seu curto governo doidivanas, Leoni Ramos foi seu secretário de Assuntos Estratégicos. Santo Deus!

O negócio envolvia a troca de bandeira de uma rede de postos. Collor teria ficado com 1% dos R$ 300 milhões em que estava avaliado o negócio. Segundo o doleiro, a grana foi arrecadada nos postos e repassada a Leoni em moeda sonante, dinheiro vivo mesmo, o que impede o rastreamento. Em depoimento anterior, Youssef afirmara que já havia mandado entregar R$ 50 mil a Collor.

Ah, sim: a BR Distribuidora também tinha sido loteada. O PTB, partido do qual Collor é líder no Senado, mantinha dois diretores na empresa: José Zonis, na área de Operações e Logística, e Luiz Claudio Caseira Sanches, na Diretoria de Rede de Postos de Serviço. O pagamento, segundo Youssef, foi feito por um de seus emissários: Rafael Ángulo Lopes.

Leoni Ramos é um dos investigados da Operação Lava-Jato justamente em razão de, digamos assim, “negócios” feitos com Youssef.

A ser verdade o que diz o doleiro — e, reitero, alguém que fez delação premiada estaria correndo um risco imenso ao mentir —, o que temos? A soma do velho patrimonialismo, de que Collor foi o último suspiro na Presidência da República, com o novo patrimonialismo, o do PT. Em 1989, Lula e Collor disputaram o segundo turno da eleição presidencial. O agora senador venceu, para ser impichado em 1992, afogado num mar de lama.

Foi lama o que se revelou no governo Lula em 2005, mas ele sobreviveu, se reelegeu, fez a sua sucessora, que, por sua vez, obteve um segundo mandato. E o Brasil está na… lama. Lula e Collor, agora, estão do mesmo lado, são aliados. Como diria Tom Jobim em “Águas de Março”: é a lama, é a lama, é a lama.