Serra diz que não será vice de Aécio; veja os interessados na vaga

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2014 11h55

Reinaldo, então o ex-governador José Serra não vai ser vice na chapa de Aécio Neves, PSDB? E é verdade que o PSD, de Kassab, pode estar de olho na vaga?

Ontem a noite Serra postou a mensagem em sua página no Facebook em que afirmou que vai disputar uma vaga no Parlamento. Segundo escreveu, ele nunca pleiteou a condição de candidato a vice e atribuiu ao exercício do jornalismo criativo as informações de que ele, ou seus aliados, estariam pressionando para obter o lugar.

Escreveu: “Nunca fui pré-candidato a vice, também inexistem interlocutores falando no meu nome. Da minha boca nunca ninguém ouviu nada a respeito. Já disse mais de uma vez que quem fala o que penso sou eu mesmo”.

Isso quer dizer que a hipótese está totalmente descartada? Em política, isso não existe. Mas, se querem saber, acho que o mais provável é que não aconteça mesmo. O tom da mensagem de Serra é cordial, e ele faz uma declaração inequívoca em favor da unidade do partido.

Afirma, referindo-se ao governo do PT: “No mais, estarei junto com o meu partido no esforço para vencer essa estranha mistura de atraso e inércia que tomou conta do país. Vamos em frente, o Brasil quer mudar”.

Agora, a segunda questão. Será que o PSD de Kassab pode fornecer o nome para o posto, mais propriamente o de Henrique Meireles, que foi presidente do Banco Central durante os oito anos do mandato de Lula, não custa lembrar que quando o líder petista o guindou para o BC, havia acabado de se eleger deputado federal pelo PSDB de Goiás.

As negociações entre o PSD de Kassab e o PSDB de Geraldo Alckmin vão muito bem em São Paulo. Hoje é grande a chance de o ex-prefeito ocupar o lugar de vice na chapa que será liderada pelo atual governador. Em entrevista concedida ao programa Os Pingos nos Is, aqui na Jovem Pan, Kassab deixou claro, no dia 28 de Abril, que a chance de entendimento com os tucanos em São Paulo era grande, mas reafirmou o apoio à presidente Dilma Rousseff na esfera federal. Indagado se essa decisão poderia ser revista, ele afirmou que não.

Setores do seu partido, no entanto, questionam que Meireles seja o vice de Aécio. Há duas ordens de dificuldades aí, cuja superação não é fácil. A primeira é justamente o acordo já feito com Dilma. A segunda é a resistência do DEM, de onde Kassab saiu, levando consigo uma boa fatia do partido. O que deixou algumas sequelas.

Talvez o DEM até pudesse facilmente abrir mão de indicar o vice, caso Aécio escolhesse Serra. Mas não creio que possa fazê-lo com igual tranquilidade em favor de um nome do partido de Kassab. Por outro lado, cumpre notar que o PSD tem um trunfo precioso, quase dois minutos no horário eleitoral gratuito. Vale por quase quatro, se estiverem com Aécio e não com Dilma. O Planalto vê um risco real de isso acontecer, tanto é assim que a presidente chamou Kassab para um papo.

No que via dar? Uma coisa é certa, o jogo está muito menos jogado do que se imaginava há um ano. Em Maio de 2013, o PT tratava a eleição presidencial como um mero ritual homologatório, dando a reeleição de Dilma como favas contadas. Não é bem assim.