Tática de Campos de bater de frente com Dilma é eficaz até certo ponto

  • Por Jovem Pan
  • 17/03/2014 10h15

Reinaldo, parece que Eduardo Campos, governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à presidência, resolveu mesmo bater de frente com Dilma. Por que você diz que é uma tática eficaz, mas só até certo ponto?

Porque se ela fosse 100% eficiente acabaria contribuindo para Lula voltar à disputa, explico. Olá internautas e amigos da Jovem Pan. Campos voltou a bater duro na presidente Dilma Rousseff neste domingo em viagem ao interior de Pernambuco. Durante um ato político em Surupim afirmou que ela distribui cargos entre aliados como quem divide bananas e laranjas. E disse ser preciso evitar que o país se derreta na inflação e no populismo.

A estratégia do governador de Pernambuco nesta pré-campanha eleitoral é sim eficaz, até a página 13. A partir da 14 não se sustenta e no limite joga água no moinho do “lulismo”, do petismo e do continuísmo. Se por um lado ele representa uma novidade em relação a pleitos passados, por que é alguém que se descolou da nave mãe, por outro lado, caso fosse 100% eficaz a sua pregação, acabaria trazendo Lula de volta.

Com acerto, o pê-essebista percebeu que existe, ou há certa sensação, de saco cheio, são poucos os que acham o governo muito ruim. Mas não são tantos os que o consideram muito bom. Tudo vai ficando ali pela linha da mediocridade. Desta vez o clima não é hostil à mudança.

Quando o pré-candidato do PSB afirma que ninguém aguenta outros quatro anos de Dilma, vocaliza uma percepção muito viva em alguns setores da sociedade. Especialmente os ligados à economia Real, área produtiva. A crítica que o governador faz à Dilma convive, não obstante, com elogios rasgados ao governo Lula, de quem foi aliado incondicional e ministro.

Em 2010 ele dinamitou as pretensões presidenciais de seu então aliado Ciro Gomes, em favor da candidata do PT, Dilma. Essa tal que ninguém aguenta mais, segundo ele. Hoje, vejam só, os irmãos Gomes decidiram: estão fechados com a presidente e Campos foi para a oposição.

E cabe então a pergunta: a gestão Lula foi mesmo tão boa como diz Campos? As dificuldades essenciais do governo Dilma foram meticulosamente construídas, organizadas e planejadas por seu antecessor. A presidente pode sim tê-las extremado em razão de traços de comportamento e de temperamento e de incompetência específica. Mas ela nem inventou nada nem destruiu nada, o que mudou substancialmente foi a conjectura internacional.

Onde estava Campos, por exemplo, quando Lula, com uma das mãos, demonizava as privatizações e com a outra ia abrindo caixa para alguns contentados do capitalismo sem risco. Na boca do governador de Pernambuco, Dilma surge como aquela que dilapidou uma herança bendita.

Nessa perspectiva, o pré-candidato do PSB se oferece como o nome que reúne as melhores condições para ser o verdadeiro continuador de Lula. Ora, basta que o ex-presidente venha a público e diga: ok, o Eduardo disse que fiz um grande governo, quero dizer que minha continuadora é Dilma.

E pode ser ainda pior. Se o pré-candidato do PSB conseguisse destroçar a reputação de Dilma, a ponto de inviabilizá-la como candidata ao menos competitiva, Lula e parte substancial do PT dariam graças à Deus. Aí o ex-presidente seria o candidato. Não vejo com Campos possa ser “lulista” e oposicionista ao mesmo tempo.

É evidente que os petistas prefeririam que ele não estivesse na disputa, o que contribuí para ele empurrar a eleição para o segundo turno. Mas não vejo muitas virtudes nesse discurso do pré-candidato do PSB, até porque o eleitorado, no fim das contas, vota em quem bem entender.

E Campos vai para a urna com a informação de que Lula fez um governo impecável. Como transferir depois seus eleitores para o lado oposicionista caso agora o governador não esteja, e ele não deve estar, como adversário final de Dilma.