Temer e Calero: vamos exigir a divulgação imediata de todas as gravações

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 28/11/2016 12h21
Michel Temer e Marcelo Calero durante posse do novo ministro da Cultura (Foto: PR)

Defendi, como sabem os leitores, desde o primeiro momento, a demissão de Geddel Vieira Lima, Quando veio a público a entrevista de Marcelo Calero à Folha, ainda no dia 19, estava claro, para mim, que o então ministro da Secretaria de Governo não tinha condições de ficar no cargo. Não se falava, então, de gravações, questão que só apareceu depois, quando Calero depôs à Polícia Federal.

Eu acho que Calero fez muito bem em pedir demissão e em tornar pública a razão de sua saída. Mas é claro que não endosso que grave conversas com o presidente, por telefone ou não. A razão é simples. O que é um ministro? Um ministro é o braço do presidente numa determinada área. É por isso que se diz, e é o certo, que ministro não tem vontade própria. Bem, mas gravações foram feitas. E não está claro até agora em quais circunstâncias. Segundo entendi, o ex-ministro da Cultura nega que tenha gravado uma conversa no gabinete da Presidência, durante audiência com o chefe do Executivo.

Bem, não importa. A esta altura, só uma coisa contribui para tranquilizar o país — ou levar ao desfecho com os quais sonham os extremistas de esquerda e de direita: A DIVULGAÇÃO DE TODAS AS GRAVAÇÕES FEITAS POR CALERO.

Segundo consta, o ex-ministro entregou o material à Polícia Federal. O governo Temer deveria, a meu ver, recorrer aos métodos legais disponíveis para tentar fazer com que o conteúdo das gravações seja conhecido por todos os brasileiros. A espera, nesse caso, é muito pior. O dano da suspeita é maior do que o perigo daquilo que eventualmente tenha sido dito.

Parece que uma das conversas com Temer foi ao telefone. Este teria sugerido que o caso da Bahia fosse remetido à AGU? Nada há de ilegal nisso. Afinal, Geddel era um braço do presidente; Calero era outro. Não consta que Temer tenha dito: “Vamos deixar essa questão legal de lado e resolver…”. Não parece que tenha sido isso.

A oposição, claro!, moralista como é, vai entrar com uma denúncia contra Temer, na Câmara, pedindo o seu impeachment. Bem, dizer o quê? O caso não foi enviado à AGU. O Iphan proibiu a construção do prédio nas dimensões inicialmente previstas. A decisão do órgão prevaleceu, a despeito da pressão de Geddel. E, segundo Calero, o próprio presidente tentou impedir a sua saída. Ou por outra: entre Geddel, que queria a liberação da obra, e Calero, que endossou a decisão do Iphan, com quem ficou Temer, ainda que tenha sugerido que o então ministro passasse o caso à AGU?

Não adianta. Enquanto essas gravações não forem conhecidas, restará sempre a suspeita de que o presidente fez algo de irregular, embora não se conheçam as consequências dessa suposta irregularidade. Pelo contrário: a decisão do Iphan prevaleceu; Kátia Bogea, presidente do órgão, continua no cargo, e Geddel, o ministro que fez a pressão indevida está fora do governo.

Por que mesmo os companheiros querem gritar “Fora Temer”???

Divulgação já! De todas as gravações.

Proposta
Ah, sim: Michel Temer aventou a hipótese de encaminhar uma proposta para que todos os encontros com o presidente em órgãos oficiais sejam gravados. Acho a proposta boa. Diminui a chance de haver problemas e de auxiliares e aliados tentarem conversas incômodas.

Reitero: será difícil um advogado tentar encontrar o crime de Temer nesse caso. Mas os vermelhos contam com doutores muito criativos.

Enquanto se discute a questão legal, reivindico: DIVULGUEM TODAS AS GRAVAÇÕES JÁ!