Temer não deve a Dilma nenhuma lealdade

  • Por Jovem Pan
  • 07/12/2015 19h43
BRASÍLIA, DF, 07.10.2015: DILMA-DF - Dilma e o vice Michel Temer - A presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia Ano Olímpico para o Turismo, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), nesta quarta-feira. (Foto: Ed Ferreira/Brazil Photo Press/Folhapress) Folhapress Dilma Rousseff e Michel Temer

Será que realmente o Michel Temer vai ter que ficar ao lado da Dilma assessorando, do ponto de vista jurídico, no impeachment por uma questão de lealdade; porque fez parte da chapa vitoriosa na eleição de outubro do ano passado?

Quando se viu diante do inevitável, Dilma Rousseff passou a atirar na direção de Michel Temer. No fim de semana, ela disse que contava com a lealdade dele. Antes disso, dois de seus tenentes no Palácio do Planalto, Jaques Wagner e Edinho Silva, mentiram a respeito de sua reunião curta de vinte minutos, formal e sem nenhum resultado concreto.

E quando eu digo sua, eu digo dela, com o Michel. Um dizendo que ele disse que o impeachment dela não tinha lastro jurídico e o outro dizendo que ele ajudaria na regimentação das tropas do PMDB para evitar o referido impeachment.

Bom, não creio que o Michel Temer tenha o perfil de trai-la, de ser desleal com ela, de conspirar contra ela como ela, Mercadante, Jaques Wagner e toda sua curiola o acusam secretamente, porque não tem coragem de fazer isso publicamente há muito tempo.

Eu gostaria de explicar uma coisa, porque tem um campo aí; uma zona desmilitarizada nesse debate sobre o impeachment que não tem nenhuma base histórica.

Então vamos começar pelo óbvio. O óbvio é o seguinte: Michel Temer tem a carreira dele, e a carreira dele, do ponto de vista político do passado é muito maior e mais frutuosa digamos, do que o dela.

Não to aqui discutindo se ele é melhor, se ele é pior, se ele vai ser um bom governante caso assuma ou se não vai ser. O que eu vejo com muita clareza é uma coisa muito simples, que é o seguinte: Michel Temer, pelo fato de ter sido candidato a vice, como representante do PMDB e de ter vencido a eleição junto com ela, não deve à Dilma Rousseff nenhuma lealdade, nenhuma fidelidade.

Como político, como homem público numa situação como o Brasil está, ele deve muita lealdade e muita fidelidade ao cidadão brasileiro, que está sendo vitimado pela maior crise moral, política, econômica e quase já institucional da história da República. É com base nisso que ele tem que se comportar e não me parece que ele está fugindo à regra.