Terça-feira tem cenário político movimentado; veja

  • Por Jovem Pan
  • 26/08/2014 11h28

Reinaldo, então temos hoje uma terça-feira gorda?

E como, hoje é um dia cheio. A Band realiza o primeiro debate entre os presidenciáveis. O Jornal Nacional divulgará os números da pesquisa Ibope. Se o que se cochicha por aí se cumprir, Marina Silva, da Rede, mas aboletada no PSB, deve aparecer em segundo lugar, mais próxima da petista Dilma Rousseff do que jamais esteve, com a possibilidade de estar à frente no segundo turno, fora da margem de erro.

Só isso? Não. O PSB também promete para hoje uma explicação para o grande mistério da chamada “nova política” que Marina encarna: afinal de contas, de quem era aquele avião que se espatifou no chão, matou Eduardo Campos e outros seis e pode ter aberto para a ex-senadora petista a possibilidade de se eleger mesmo não tendo um partido?

O governo petista está de tal sorte desgastado que o mercado, nesta segunda, reagiu com euforia ao simples boato de que Marina pode vencer Dilma nas urnas. É o que já vinha acontecendo quando essa possibilidade apontava para Aécio. Ainda que a líder da Rede esteja mais para incógnita do que para resposta, conta o fato de que ela, afinal, não é Dilma.

De resto, os cardeais da papisa, como Maria Alice Setúbal e Eduardo Giannetti, já deixaram claro que o setor financeiro não tem o que temer. Uma promessa de independência do Banco Central já rende adesões “Mas e a história de que Marina defende o decreto 8.243 e quer criar os tais conselhos populares?” Convenham: não é uma causa que sensibilize tanto assim os mercados, né? Se democracia lhes fosse uma condição inegociável, cairiam fora da China. Sigamos.

Como vão se comportar Dilma Rousseff e Aécio Neves? Comenta-se que ambos tendem a evitar o embate direto com Marina. Será mesmo que é uma boa saída? A ser assim, a tendência, então, é que se dê o confronto entre os nomes do PT e do PSDB, que é tudo o que quer a candidata do PSB, que se apresenta como uma suposta terceira via, insistindo na tecla de que o país já está cansado daquele velho confronto.

Reconheça-se, no entanto, que Marina chega ao debate ainda ungida por certa esfera de santidade. O embate com ela pode render desgaste, sim, tanto a Aécio como a Dilma, a menos que consigam evidenciar o que podem considerar seu despreparo, suas eventuais contradições ou sei lá o quê.

Vamos ver: os números do Ibope serão divulgados antes do debate. Os três já os conhecerão. Se a distância que separa Marina de Aécio for muito grande, não resta ao tucano, acho eu, outra saída que não questionar firmemente a oponente que pode lhe tomar o segundo lugar. Se houver evidências na pesquisa de que Dilma caminha para uma derrota no segundo turno, preservar a candidata do PSB também não será uma atitude prudente da petista.

O que eu acho que tem de ser feito? Olhem aqui: esse embate eleitoral se tornou de tal sorte contaminado por mitologias e misticismos que, se me fosse dado sugerir alguma coisa, recomendaria nada além da clareza absoluta. Os três principais candidatos que estarão no debate já propuseram ― e realizaram ― coisas para o Brasil. Os três fariam um bem ao país se forçassem o debate para que os outros dois pudessem ser confrontados com suas palavras e com suas obras.