Trump presta um desserviço aos EUA ao não aceitar possível derrota

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 20/10/2016 07h32
CDA036. LAS VEGAS (EE.UU.), 19/10/2016.- El candidato a la Presidencia de EEUU por el partido Republicano Donald Trump durante el debate con su rival demócrata Hillary Clinton hoy, miércoles 19 de octubre de 2016, en la Universidad de Nevada en Las Vegas (EE.UU.). EFE/JIM LO SCALZODonald Trump em debate presidencial contra Hillary Clinton em Las Vegas

Donald Trump não resiste a Donald Trump. Ele não se comporta dentro das normas da democracia americana e da vida cívica ao se recusar a aceitar o resultado da eleição em 8 de novembro. Com esta postura, ele sofreu um nocaute e nocauteou o seu próprio país, além de sua própria campanha.

Os primeiros 30 minutos do terceiro e último debate presidencial foram relativamente normais para os padrões bizarros do atual ciclo eleitoral americano. Lá estavam em Las Vegas, Trump e Hillary Clinton defendendo suas posições sobre juízes na Corte Suprema, armas, aborto, imigração e impostos. Ambos atacando e se esquivando das questões desconfortáveis. E de pensar que até então era o melhor desempenho dele nos debates, embora Hillary também tenha melhorado.

Mas as coisas foram se descontrolando. E um debate que sequer teve o protocolar aperto de mão entre os participantes antes do duelo se tornou simplesmente brutal, muitas vezes com respostas ensaiadas e repetição de frases de debates anteriores e dos comícios.

Era visível que Trump não conseguiria manter a compostura. E nem estamos falando da porção mais picante sobre o relacionamento dele com mulheres, mas de algo também muito escandaloso, embora nada carnal, na verdade institucional.

A manchete do terceiro debate, a pouco menos de três semanas da votação, é que num gesto sem precedentes um candidato por um dos dois partidões americanos não se compromete a aceitar o resultado. Sim, Trump, que tem levantado tantas questões sobre fraude de votos na eleição, agora na reta final se recusa a respeitar uma vitória da rival democrata Hillary Clinton.

O argumento é absurdo. Trump não tem evidências sobre fraude e mentiu quando disse que milhões de pessoas estão sendo registradas de forma imprópria. Tudo bem se ele ficasse na denúncia padrão de que a imprensa é desonesta e trabalha para Hillary, mas ele se insurgiu contra o coro do seu próprio partido, integrado por seu companheiro de chapa e por sua filha Ivanka de que o resultado do voto será acatado. Trump presta um desserviço à nação.

Hillary, uma política robotizada, finalmente expressou indignação e disse que Trump denigre a democracia americana com esta postura de não aceitar o resultado.

Trump, de fato, trata a eleição como um reality-show, dizendo que manterá o suspense sobre sua aceitação do resultado. Que não haja nenhum suspense e que ele seja derrotado pela realidade.