Trump, Xi Jinping e a armadilha de Tucídides

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 24/06/2017 10h06
Guerra do Poloponeso - Reprodução

No mundo pipocam desafios geopolíticos, mas o número 1 no século 21 é a dinâmica da ascensão da China e declínio dos EUA. Obviamente, falar em declínio americano deixa os trumpetes horrorizados, pois colide com o discurso ufanista do presidente.

No entanto, o atual ocupante da Casa Branca, pregador do America First, coexiste e confronta um dirigente também altamente nacionalista em Pequim, Xi Jinping. Nos primeiros meses do governo Trump, houve uma reversão de expectativas, com a coexistência ofuscando o confronto diante da aposta da Casa Branca de contar com a China para enquadrar a ameaça nuclear norte-coreana.

Trump expressou frustração esta semana com a aposta e sinaliza que será a vez do confronto. E indo além do presidente de plantão em Washington, existe uma questão inquietante: será que um dia no século 21 haverá uma guerra entre EUA e China? Munição acadêmica acaba de ser despachada para a guerra dos debates com o lançamento do livro de Graham Allison, um influente professor de Harvard.

O livro tem o fatalista título “Destinados para a Guerra: Podem EUA e China Escaparem da Armadilha de Tucídides?” Será que o professor está falando grego? Sim. Graham Allison popularizou o termo “Armadilha de Tucídides para descrever o risco de conflito quando um poder emergente desafia o poder estabelecido.

Tucídides foi o general e historiador ateniense que resumiu as causas da Guerra do Peloponeso (431-404 A.C.) em uma frase: foi a ascensão de Atenas e o medo que isto inspirou em Esparta que tornou o conflito inevitável.

Allison avança na história e observa que a guerra foi o resultado em 12 de 16 dinâmicas semelhantes nos últimos 500 anos. Na batalha acadêmica, o influente sinólogo Arthur Waldron, da Universidade da Pensilvânia, foi à carga contra Allison, argumentando que a armadilha de Tucídides é uma falácia, pois Esparta não era tão espartana assim e tentou evitar o confronto com Atenas, sugerindo o compromisso.

Um bom debate. Allison inclusive foi recrutado no mês passado para falar na Casa Branca sobre o seu livro com a equipe do Conselho de Segurança Nacional, mas será uma árdua batalha convencer Trump a ler livros sobre a Guerra do Peloponeso.