A tumultuada novela eleitoral americana
Fim de semana de muitas emoções na tumultuada novela eleitoral americana. Do lado democrata, as coisas começam a voltar ao seu devido lugar, com a vitória de Hillary Clinton sobre o radical de esquerda Bernie Sanders na disputa no estado de Nevada. Não foi uma vitória triunfal, muito mais um alívio, mas as próximas etapas da maratona democrata são mais promissoras para a ex-primeira-dama.
Mesmo assim, fica claro que a vida de Hillary é difícil. Ela não é um talento natural na campanha e setores da base democrata, especialmente jovens, estão frustrados com o cenário.
O consolo para a dinastia Clinton é que ela vai adiante. Já a história terminou para a outra grande dinastia política americana, a dinastia Bush. No sábado à noite, Jeb, o ex-governador da Flórida, irmão e filho de presidentes, anunciou a desistência na corrida republicana, com seu quarto lugar nas primárias do estado da Carolina do Sul. E contra quem Hillary irá duelar em novembro?
Há um clima de quase pânico entre os setores tradicionais do Partido Republicano. Apesar de todas as barbaridades e insultos, Donald Trump venceu mais uma etapa e com folga. Mas a corrida ainda está embolada para saber quem pode tirar a liderança do bilionário bufão na maratona republicana.
Os setores tradicionais e seu dinheiro convergem para o senador pela Flórida, Marco Rubio, herdeiro natural de Jeb Bush, que ficou em segundo lugar na Carolina do Sul, mas praticamente empatou com o terceiro colocado, o senador pelo Texas, Ted Cruz, que, como Rubio, é de origem cubana e representa a ala mais extremista dos conservadores.
Tudo indica que serão semanas de primárias com esta disputa entre Trump, Rubio e Cruz. Resta saber quando dois outros competidores, John Kasich e Ben Carson, irão abandonar a corrida, o que em princípio fortalece a posição de Rubio. Sem as desistências, a vida fica mais fácil para o improvável Donald Trump. A rigor, os democratas torcem para Trump. Estimam que será mais fácil derrotá-lo em novembro.
E, de fato, basta imaginar o seguinte cenário: Hillary Clinton é sucessora de uma dinastia, enquanto Rubio, filho de imigrantes, é a nova face do Partido Republicano. Ainda por cima se pegar para companheira de chapa a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, que, como ele, tem 44 anos e também é filha de imigrantes, da Índia.
Antes é claro há um monstruoso obstáculo do meio do caminho de Rubio, Donald Trump.
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