Uma dinastia imperial e trabalhadora em Washington

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 01/05/2017 08h10
ANK11 WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS) 24/04/2017.- El presidente de los Estados Unidos, Donald Trump (c), su hija Ivanka Trump (d) felicitan durante una videoconferencia a la astronauta estadounidense Peggy Whitson (no aparece en imagen) por su récord, en el despacho oval de la Casa Blanca en Washington (Estados Unidos), hoy, 24 de abril de 2017. La comandante de la Estación Espacial Internacional (EEI), la estadounidense Peggy Whitson, batió hoy el récord de permanencia en el espacio para un astronauta de EE.UU., con un total de 535 días fuera de la Tierra superando a su compatriota Jeff Williams. EFE/Molly Riley / Polaris *POOL*Donald Trump e sua filha Ivanka Trump na Casa Branca

Primeiro de Maio, Dia do Trabalho. Para quem não sabe, não é feriado, não é celebrado nos Estados Unidos, mas para marcar a data vou homenagear uma família de trabalhadores americanos, a primeira família, a família que tanto trabalha para ganhar mais dinheiro e agora mais poder.

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Sem surpresa: estou falando da família Trump. É verdade que os Estados Unidos são um país orgulhoso por ter nascido de uma revolução contra a aristocracia. No entanto, na expressão do jornal espanhol El País é reino de grandes clãs políticos, como em qualquer parte do mundo. Logo após o nascimento da república, tivemos os Adams, pai e filho, presidentes. Outros clãs mais conhecidos são Roosevelt, Kennedy, Bush e Clinton.

Na ausência de monarcas, existe o culto do presidente, com a posse e o exercício do cargo marcados por uma pompa que lembra a realeza. As imagens monárquicas mais marcantes ainda são relacionadas aos tempos gloriosos e trágicos de John Kennedy. Mas, ao longo da história, existem as revoltas contra estas elites. Nada mais irônico que a insurreição em 2016 tenha sido liderada pelo bilionário que se se autocoroou populista chamado Donald Trump

Ele é o governante mais rico que já chegou à Casa Branca pelo voto do povo e em nome do povo. E bastou a primeira centena de dias no poder para deixar claro que já existe uma dinastia imperial em Washington. Houve o mito kennedyano no começo dos anos 60, o reino de Camelot. Agora é este reino de paródia de dom Trump, com a mansão na Flórida, uma rainha ausente, Melania, e uma princesa muito presente, Ivanka Trump, ao lado do marido, o todo poderoso genro do presidente, Jared Kushner.

Uma promessa fui cumprida por Trump: ele governa o país como se ele fosse uma grande empresa familiar, semelhante à organização que leva o seu nome em letras douradas. Seu principal assessor é o genro de 36 anos, sem nenhuma experiência política ou de gestão publica, mas que agarrou uma pilha infindável de funções e responsabilidades. E a filhota vistosa, Ivanka, está em todas. E quem quer cair nas boas graças e fazer acordos com a Casa Branca, tomou nota que o passaporte de entrada exige a filha e a genro do presidente.

A promiscuidade entre o público e o privado está flagrante nestes cem dias de gestão Trump. O presidente jantou com o presidente chinês Xi Jinping na mansão da Flórida, uma espécie de Casa Branca de verão, na companhia de filha e de genro. No mesmo dia, a China aprovada licenças para a grife de joias de Ivanka. São cada vez mais joias na coroa deste imperador bilionário e populista, que se diz um trabalhador incansável.