Vasos colados e quebrados para a eleição norte-americana

  • Por Caio Blinder
  • 10/06/2016 09h33
EFE Barack Obama - EFE

 Presidente dos Estados Unidos e figura mais poderosa do mundo, Barack Obama é muito visível e o veremos muito mais nos próximos dias, semanas e meses fazendo campanha eleitoral para Hillary Clinton, a vencedora das primárias democratas. Na passada quinta-feira (9), ele fez o endosso formal.

Obama é do ramo e será cabo eleitoral não apenas de Hillary, mas do seu legado, o estadista tem uma ambição difícil na história: um presidente emplacar seu sucessor depois de dois mandatos na Casa Branca. 
 
A vantagem do democrata, neste momento, é que sua taxa de aprovação está em alta, acima de 50 por cento. Tudo funciona a seu favor caso não haja uma recessão nos próximos meses ou, Deus nos perdoe, um atentado terrorista.
 
Rapidamente, veremos uma máquina relativamente azeitada do Partido Democrata em ação. Obama terá habilidade para colar um vaso político, vaso este que teve cacos espalhados na batalha das primárias (e olha que o caco Bernie Sanders, o rival de Hillary, é cortante). 
 
Nada, porém, que se compare ao vaso republicano. O outro lado carece de alguém na posição de Obama, pois, sempre que ameaça ser colado de forma disforme, Donald Trump insiste em quebrá-lo. O vaso, afinal, agora é dele. 
 
O Partido Republicano está perdido. Seus dirigentes ora se curvam a Trump, ora exigem que ele se enquadre no politicamente correto, o negócio do multibilionário, entretanto, é botar para quebrar. Não se trata apenas de sua personalidade e do seu narcisismo, mas sim de sua razão de ser como candidato, sua performance sem filtro, traduz alguém que fala e insulta a torto e a direito. 
 
Se Trump deixar de ser Trump, ele murcha. Em alguns momentos, ele exibe algum autocontrole, mas não resiste e, quando menos se espera, ele volta a botar para quebrar.  Sem dúvida, é um entretenimento singular na campanha eleitoral e a imprensa fica ansiosa à espera de um um vaso a ser quebrado pelo republicano.