Vazamentos sujam ainda mais imagem do pequeno Panamá

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 09/04/2016 09h24
EFE/Oscar Rivera Agentes da polícia nacional civil de El Salvador fazem buscas no escritório da Mossack Fonseca em San Salvador

O pequeno Panamá hoje está no centro das atenções mundiais com o megavazamento de documentos do escritório Mossack Fonseca colocando a nu os segredos do mundo da evasão fiscal e da lavagem de dinheiro. Na verdade, há muito tempo, o Panamá é um canal para a passagem literal de navios, de transações financeiras e de drogas. Como outras paragens da América Central e do Caribe, o Panamá é um paraíso e um paraíso fiscal.

O destino do Panamá é sua geografia privilegiada, como o canal ligando dois oceanos, tão perto dos Estados Unidos, localizado na rota do tráfico de drogas e também com uma história que dia menos dia iria desembocar no escândalo desta semana.

A história do Panamá como paraíso fiscal começou em 1919 quando passou a registrar navios estrangeiros para ajudar a gigante petrolífera americana Standard Oil a escapar dos impostos e regulamentações nos Estados Unidos. A partir daí, empresas marítimas fincaram bandeira na terra prometida da América Central. Aliás, com o registro panamenho, navios americanos podiam servir álcool a seus passageiros nos tempos da Lei Seca.

O paraíso fiscal floresceu ao longo das décadas e o Panamá viu oportunidades para estender os princípios de taxação mínima e poucos requerimentos para empresas financeiras. Sigilo é a alma do negócio. Ademais, o Panamá não tem acordos tributários com outros países, conferindo assim outra camada de proteção a estrangeiros, além da ausência de controles cambiais. O ritmo de negócios nebulosos e de fachada se acelerou nos anos 80 quando mais de cem bancos tinham filiais na Cidade do Panamá, atraidos por suas oportunidades e criação de zonas de livre comércio.

E o pudor acabou quando Manuel Noriega tomou o poder em 1983, praticamente nacionalizando o negócio de lavagem de dinheiro ao fechar parceria com o cartel da droga de Medellin, que passou a operar livremente no país.

Foi demais para os Estados Unidos. A invasão do Panamá aconteceu em 1989. Desde então, o Panamá se desdobra para limpar sua imagem. Os vazamentos desta semana, porém, apenas sujaram ainda mais o paraíso fiscal.