Vitória de Macri na Argentina é derrota do lulopetismo e do bolivarianismo

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 24/11/2015 12h36
Mauricio Macri durante comemoração pela vitória à Presidência da Argentina

No próximo dia 10 de dezembro, Mauricio Macri assume a presidência da Argentina. Sua vitória no domingo foi um triunfo, embora por margem apertada de três pontos sobre o peronista Daniel Scioli e os desafios são imensos.

Alguns desafios são familiares aos do Brasil, onde não ocorreu a tão almejada mudança nas eleições de outubro de 2014. Sim, a coalizão vitoriosa é a coalizão do Cambiemos e como a Argentina precisa mudar: inflação alta, dólar volátil, esgotamento de um modelo de exportação de commodities, dificuldade de acesso ao mercado internacional de capitais.

Macri tem um perfil de centro-direita e na campanha tomou cuidado para não carregar no direitismo. Preferiu ser mais centrista, prometendo manter os programas sociais, alguns equivalentes ao bolsa-família do Brasil. Tampouco fez um campanha em tom revanchista.

Macri está plenamente consciente que precisa costurar um pacto de governabilidade, pois não controla o Congresso e terá dificuldade para lidar com os sindicatos peronistas. Na verdade, Macri lidera uma coalizão não-peronista e não antiperonista. Foi eleito inclusive graças aos votos do contingente peronista que no primeiro turno votara no peronista dissidente Sergio Massa.

Como se vê, problemas imensos, mas está aí uma promessa de modernização, numa Argentina que precisa de renovação e que precisava de livrar do kirchernismo. A rainha Cristina já vai tarde, com sua demagogia e lances para abafar a democracia. A derrota de Cristina e do seu candidato Daniel Scioli é derrota do lulopetismo e do bolivarianismo.

O mapa ideológico e político da região tem uma mudança com a vitória de Macri. Ele, afinal, promete ser um a menos na conivência sul-americana com a quase ditadura da Venezuela. Insiste que irá lutar pela libertação do líder da oposição Leopoldo López, condenado em uma farsa judicial. Macri lembra que existe uma clásula democrática no Mercosul, do qual a Venezuela é integrante.

Portanto, é fundamental que alguém como Macri esteja assumindo o poder na América Latina quando a Venezuela se prepara para eleições parlamentares no dia 6 de dezembro. As projeções são de uma folgada vitória da oposição. O que fará o chavismo?

Existe um setor mais vibrante na América Latina que é a Aliança do Pacífico, integrada por México, Colômbia, Peru e Chile. Estes quatro países têm presidentes de direita e de esquerda, numa prova que é possivel união pragmática para o avanço.

O lulopetismo e o bolivarianismo são a vanguarda do atraso na América Latina. Com Mauricio Macri na Argentina a vanguarda do bom senso recebe um reforço.