Brasil irrelevante, encontro esperado, cobrança a Trump e protestos: o dia do G20
A Reunião do G20, grupo das principais economias do mundo, começou hoje em Hamburgo, na Alemanha, em meio a protestos violentos, com a presença de líderes controversos e poucos interesses mútuos entre os principais governos do mundo. Um retrato perfeito do que 2017 tem sido para o planeta até agora.
Percebam que o grupo renovou seu protagonismo na esteira da crise financeira de 2008 para tentar representar melhor o quadro político e econômico do século 21, em detrimento do G7, o clubão dos países mais industrializados.
A ideia era trazer os emergentes à mesa com mais protagonismo, que naquele momento surfavam algumas ondas de prosperidade, entre elas a do superciclo das commodities. Hoje o quadro é bem diferente.
O Brasil, por exemplo, saiu completamente da cena internacional e é representado por um presidente que tem tanto prestígio no exterior quanto dentro de casa. Michel Temer será um coadjuvante de segunda classe nos debates de hoje e amanhã e sequer terá encontros bilaterais com outros chefes de estado.
Mas alguma coisa também está fora da ordem na mesa dos adultos, quando se percebe que a principal expectativa de um encontro com 19 países mais a União Europeia trata do primeiro encontro tête à tête entre Vladimir Putin e Donald Trump, que ontem deu uma espécie de ultimato para o seu colega do Kremlin.
Os dois líderes vão se reunir a portas-fechadas nesta tarde por até uma hora, o que certamente não será o bastante para colocar ordem na relação.
A Alemanha ainda promete tentar salvar o dia ao pressionar Trump a não abandonar completamente o acordo climático de Paris. Mas, convenhamos, contar com o bom-senso da Casa Branca nos dias de hoje é uma demonstração extrema de otimismo por parte de Angela Merkel.
A única coisa que não mudou na reunião do G20 em 2017 em relação aos encontros do passado é o clima hostil das manifestações. Quebradeiras e confrontos entre manifestantes e policiais estão ocorrendo desde quinta-feira.
Os protestos vararam a noite em Hamburgo ontem e terminaram com quase 80 policiais feridos. Dezenas de manifestantes também se machucaram quando os agentes de segurança tentaram dispersar os grupos de black blocs.
Cerca de 100 mil pessoas são esperadas nos protestos marcados para as próximas horas.