Josias de Souza: ‘Cadeira de Paulo Guedes está tão firme quanto poltrona de Moro’

Os comentaristas do 3 em 1, da Jovem Pan, analisaram nesta quarta-feira (12) os pedidos de demissão de dois secretários do Ministério da Economia, classificados por Guedes como ‘debandada’

  • Por Jovem Pan
  • 12/08/2020 17h54 - Atualizado em 12/08/2020 18h12
Ministro da Economia, Paulo Guedes

Insatisfeitos com as travas na agenda liberal, os secretários Especial de Desestatização e Desinvestimento, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Paulo Uebel, pediram demissão nesta terça-feira (11). Em coletiva de imprensa, o ministro Paulo Guedes classificou as baixas como uma “debandada” da Pasta. Para Josias de Souza, comentarista do programa 3 em 1, da Jovem Pan, a saída dos secretários deixa “a cadeira de Paulo Guedes tão firme quanto a poltrona de Moro”.

Para ele, é necessário saber “até quando duram a paciência de Paulo Guedes e também a paciente de presidente Bolsonaro”. “Ele [Guedes] virou personagem de um filme muito parecido com aquele em que o prestígio de Sergio Moro morreu no final. No enredo protagonizado por Moro, o desfecho foi marcado pela tentativa de ocupação política da PF. No roteiro protagonizado por Guedes, o presidente reduz o pé direito do posto Ipiranga ameaçando trocar o rigor fiscal, imposto pelo teto de gastos, pela gastança de um populismo eleitoral. A cadeira de Paulo Guedes está tão firme quanto a poltrona de Sergio Moro”, avaliou. Após as demissões, Bolsonaro “fez defesa protocolar do teto de gastos” e, segundo Josias, cabe “ao ministro decidir até que ponto ele deseja conviver com esses parafusos soltos”. “O Paulo Guedes para o governo não é mais insubstituível”, disse.

O comentarista Rodrigo Constantino afirmou que as demissões na equipe econômica “não são positivas para o país” e classificou os secretários como “pessoas capazes que sempre foram muito sinceras”. “Óbvio que não é o mesmo ritmo da iniciativa privada, mas eles encontraram resistências de todos os lados. Salim Mattar entregou resultados e deixou algumas privatizações engatilhadas”, disse. Para Constantino, será difícil avançar na agenda de reformas. “Isso não acontecerá da noite pro dia. Nesse sentido, estou com o vice-presidente que pediu paciência, mas cada um tem o seu limite pessoal e acho até que aguentaram muito”. Já Thaís Oyama avalia que na coletiva de imprensa concedida após o anúncio das demissões, o ministro da Economia “pediu ajuda ao mercado e o mercado entendeu muito bem e reagiu de forma eloquente”. Segundo Oyama, o “pequeno e calculado escândalo de Guedes” também deixa “um recado para o presidente Bolsonaro”.

Confira à íntegra do 3 em 1: