Alemanha reconhece genocídio armênio e cria risco de abalar relação com a Turquia

  • Por Jovem Pan
  • 03/06/2016 13h56
TUR01. ESTAMBUL (TURQUÍA), 02/06/2016.- Varias personas protestan contra la decisión del Parlamento alemán, el cual ha reconocido como genocidio la matanza de 1,5 millones de armenios cometida hace más de un siglo por el Imperio Otomano, a lo que se oponía terminantemente Turquía, frente a la embajada alemana de Estambul, el 2 de junio del 2016. EFE/Sedat Suna EFE Alemanha reconhece genocídio armênio

 O reconhecimento do parlamento da Alemanha ao genocídio armênio tem um profundo significado simbólico e deve abalar a relação do país com a Turquia. De forma quase unânime, os deputados do Bundestag aprovaram um texto que considera o massacre de 1915 um genocídio e assume a responsabilidade da Alemanha no ataque, já que o país era aliado do então Império Otomano na Primeira Guerra Mundial.

O professor de relações internacionais da Facamp, James Onnig, afirma que o reconhecimento é uma vitória dos direitos humanos e da justiça: “É muito importante do ponto de vista pela luta dos direitos humanos e pela justiça, já que a Alemanha foi copartícipe de um processo genocida e que isso acabou gerando um impacto enorme na vida de milhões de pessoas. Se o país que está afirmando que participou indevidamente pede desculpa, o país que perpetrou deve fazer o mesmo”. Onnig, que faz parte da comunidade armênia no Brasil, lembra que a Alemanha está repetindo o gesto de revisitar o seu passado e admitir os erros.

Na visão do professor de relações internacionais, o genocídio armênio precisa ser reconhecido pelos governos e divulgado no mundo inteiro: “Todas as nações precisam revisitar as suas injustiças, revisitar o seu passado mais próximo e entender quando há exclusão, opressão, escravidão, e no caso, genocídio, que também possam ter tido impacto nas vidas deles. É uma historia tão triste, uma tragédia tão difícil de falar que algumas gerações, durante anos, lutavam pelo reconhecimento, mas como eram poucos filmes, poucas obras literárias que falavam sobre o assunto, esse tema foi se esquecendo”.

A luta pelo reconhecimento do genocídio se intensificou nos anos 60. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, garantiu em sua campanha fazer esse gesto, mas nunca cumpriu a promessa. Assumir o que aconteceu gera danos com a Turquia, que já reagiu à decisão feita pelo parlamento alemão.

O presidente turco, Recep Erdogan, chamou o embaixador do país em Berlim para consultas, e o porta-voz de seu partido, o AKP, disse que a aprovação danifica seriamente a relação entre as duas nações. A chanceler alemã, Angela Merkel, não quis entrar na polêmica, mas lembrou da forte ligação entre Turquia e Alemanha, onde moram mais de 3 milhões de cidadãos com raízes turcas.

Reportagem: Victor LaRegina