Anvisa aprova registro do primeiro medicamento à base de derivado da maconha no País

  • Por Jovem Pan
  • 17/01/2017 07h41
Air crew members from Georgia's Army National Guard Counter Drug Task Force patrolled the skies north of Rome looking for marijuana grows today. Today they harvested more than 20 plants thereby keeping $40,000 of dope off the streets of Georgia. The GA NG CDTF is part of the Governor's Task Force/Drug Suppression, along with three other federal agencies and six state agencies including the GA State Patrol. The GTF supports local sheriff departments with an air team and ground team designed to find and eradicate marijuana grows. (Georgia Army National Guard photo by Maj. Will Cox/Released) Maj. Will Cox / Georgia Army National Guard Maconha (Fotos Públicas)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, pela primeira vez no Brasil, o registro de um medicamento à base de maconha. O remédio tem o nome comercial de Mevatyl e já é comercializado em outros 28 países, onde é conhecido como Sativex.

A droga é usada no tratamento da espasticidade, um problema decorrente da esclerose múltipla e que provoca rigidez dos músculos em portadores da doença.

O medicamento contém canabidiol e tetraidrocanabinol, dois compostos derivados da Cannabis Sativa, a planta da maconha.

Até então, a Anvisa liberava apenas a importação de produtos à base destas substâncias.

Apesar da liberação dos remédios comprados em outros países, ainda não havia nenhum produto desta categoria com registro no País.

O índice de THC será de 27 miligramas por mililitro, enquanto a presença do canabidiol será de 25 miligramas por mililitro.

O toxicologista Anthony Wong avaliou que a dosagem é alta, mas acredita que a Anvisa acertou, ao reconhecer as propriedades medicinais da maconha. Ele explicou ainda que a presença de componentes da maconha no medicamento não é suficiente para provocar dependência.

Segundo a Anvisa, o Mevatyl chegará às farmácias na forma de uma solução oral, em spray.

A droga é fabricada pelo laboratório GW Pharma, da Inglaterra e será rotulada como tarja preta.

O paciente deverá apresentar uma receita médica especial e a assinatura de um termo de consentimento, antes de concluir a compra.

Segundo a Anvisa, o Mevatyl é recomendado apenas para pacientes adultos que não demonstraram resposta a outros medicamentos.

Ainda de acordo com a agência, ao contrário de outros produtos à base da cannabis, o novo medicamento não é indicado para tratamento de epilepsia. Isso porque o remédio possui na composição o THC, derivado da maconha que pode, inclusive, agravar as crises epiléticas.

*Informações dos repórteres Vitor Brown e Marcelo Mattos