Associação de policiais federais vê “cenário de insegurança” com troca de ministros

  • Por Jovem Pan
  • 29/05/2017 10h53
REP FACE - presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF)

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, relatou “preocupação” com a troca ministerial promovida pelo presidente Michel Temer.

O peemedebista, investigado por corrupção passiva, obstrução à Justiça e associação criminosa, e que foi convado a depor pela Polícia Federal (PF) na semana passada, trocou o comando do Ministério da Justiça, ao qual a PF está subordinada, tirando Osmar Serraglio para colocar Torquato Jardim. 

“Foram divulgados áudios de expoentes no mundo político que gostariam que houvesse uma mudança no ministério da Justiça para colocar um perfil mais forte, na pretensão de fazer interferências na Polícia Federal”, diz Sobral, referindo-se ao senador afastado Aécio Neves (PSDB), que foi gravado pela PF fazendo críticas a Serraglio, então ministro.

“Aguardamos pronunciamento do ministro da justiça se comprometendo com a autonomia da Polícia Federal”, pediu também o líder da ADPF. “Não temos autonomia nem mandato para o nosso diretor-geral”, criticou Sobral.

Para a ADPF, essa situação gera “incerteza e insegurança” quanto aos destinos da corporação. Um mandato estipulado para a presidência da PF garantiria que o ministro da Justiça não afetasse o trabalho, segundo Sobral.

Troca de Daiello

Embora a ADPF já tenha feito críticas públicas ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, Sobral entende que o momento não é de mudanças.

Ele lembra que uma lista tríplice já foi votada e apresentada por policiais, em que a delegada Erika Mialik, que integra a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, venceu, e teria até 2018 para ser nomeada e substituir Daiello.

“No entanto num cenário de insegurança, num cenário de tentativa de interferência (…) nós não queremos interferência na polícia federal, nós queremos trabalhar mais e trabalhar melhor”, afirmou o presidente da ADPF. “Num cenário de insegurança nós temos de ter cautela”, diz Sobral.

Orçamento

Sobral também respondeu sobre as críticas com a redução da equipe da PF dedicada à Lava Jato em Curitiba e o corte de orçamento da corporação. Ele diz que são dois assuntos distrintos que “acabaram se misturando”.

Sem se posicionar, o presidente da ADPF retratou uma “diferença de visão em relação a esse remanejamento”, explicando que a equipe da PF na capital paranaense, onde se deu início a Operação Lava Jato, teve de ser transferida para outros Estados, como Brasília e Rio de Janerio, onde se investigam desdobramentos da Lava Jato.

Sobre o corte de orçamento, que seria de 44% e ficou em 29% após pressão, Carlos Eduardo Sobral afirma que a redução “efetivamente atrapalha nossas operações e o nosso dia a dia, não só a Lava Jato, mas as outras (operações)”.

Sobral também publicou em seu Facebbok a “preocupação” com a troca ministerial, mas não detalhou sobre a posição de Daiello, Veja:

Vera Magalhães também comentou sobre o assunto no Jornal da Manhã: