Associações condenam nova lei de zoneamento e criticam falta de discussões

  • Por Jovem Pan
  • 27/02/2016 11h23
Moradores do Jardins protestam contra revisão de Zoneamento

Associações de moradores de bairros de São Paulo condenam a expansão comercial em áreas residenciais, autorizada na nova Lei de Zoneamento. O projeto recebeu o apoio de 45 dos 55 vereadores na Câmara e segue para sanção do prefeito Fernando Haddad, que promete uma análise criteriosa.

As regras de Uso e Ocupação do Solo determinam o que cada via da capital paulista poderá abrigar: residências, comércio, indústria e serviços.

O conselheiro municipal de Política Urbana Sérgio Reze Júnior criticou a falta de discussões sobre as mudanças no projeto. “O que a gente estpa vendo é que a regra do próprio Plano Diretor, que deveria nortear o zoneamento, está sendo quebrada, sem discussão pública, sem apresentação de estudos técnicos”, afirmou.

São Paulo tem 65 zonas residenciais, em 29 subprefeituras, mas apenas Jardins, Pacaembu e City Lapa foram preservadas na Lei de Zoneamento.

O grande temor dos moradores é a repetição da Vila Madalena em outros bairros, explicou Diogo Ribeiro da Luz, da entidade Ame Seu Bairro. “A Vila Madalena, quando começou, todo mundo achou mais ou menos bom. Um pouco de comércio traz um pouco de movimento, de dinheiro para a região. O primeiro comerciante se relaciona bem com os vizinhos, mas quando vem o segundo, terceiro, quarto, a partir de certo ponto existe uma deterioração total”, disse.

O relator do projeto na Câmara ressaltou que os bairros tombados pelo patrimônio histórico já possuem comércio suficiente aos moradores.

Paulo Frange, do PTB, minimizou o impacto em bairros como Planalto Paulista, Sumarezinho, Jardim Marajoara, Alto de Pinheiros e Jardim da Saúde: “tem uma área que não está tombada, que é o Jardim da Saúde, mas a oferta de serviço lá é muito menor”.

O texto também limita a altura dos prédios, tamanho das construções e as regiões com potencial de adensamento, servidas com transporte público. A promessa do prefeito Fernando Haddad é que a versão final da Lei de Uso e Ocupação do Solo vai sustentar o desenvolvimento ordenado de São Paulo.