Até a família real foi usada em negociações escusas do futebol

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan Londres
  • 28/06/2017 11h07
David Cameron - EFE

O “Relatório Garcia” divulgado pela FIFA no processo de investigação da escolha das sedes para as Copas de 2018 e 2022 também causou constrangimentos aqui na Inglaterra. Os nomes do ex-primeiro-ministro conservador David Cameron e até do príncipe William, herdeiro da cora britânica, aparecem ligados a práticas bastante condenáveis.

Claro, não é nada comparável ao nível de sem-vergonhice praticado por sujeitos como Ricardo Teixeira. São situações constrangedoras apenas para um país onde já se chegou ao nível de combater também a baixa corrupção. Mesmo assim, a investigação da FIFA mostra que definitivamente não dá pra confiar em ninguém.

A Inglaterra se candidatou para receber a Copa de 2018 e montou um esquema considerado de primeira linha para convencer os eleitores do processo para trazerem o mundial de volta pra casa, como diziam na época. Foram mobilizados o então primeiro-ministro David Cameron, o príncipe William e a lenda David Beckham para as reunião que antecipavam a votação.

O documento diz que Cameron e William participaram de um encontro com a delegação da Coreia do Sul, que concorria para sediar a Copa de 2022, e combinaram trocar votos para fortalecer as duas candidaturas, o que pelas regras da FIFA é proibido.

Os britânicos também ouviram de Nicolaz Leoz, o infame ex-presidente da Conmebol, o pedido para ser condecorado com a Ordem de Cavaleiro do Império Britânico em troca do apoio das conferações do continente. O paraguaio queria nada menos que a comenda destinada a personalidades do quilate de Pelé, por exemplo. E mais: também queria a oportunidade de se encontrar com a rainha Elizabeth Segunda.

Evidente que tal absurdo não seria concedido, mas para não deixar Leoz na mão a FA (Football Association), que é o equivalente da CBF aqui na Inglaterra, ofereceu criar um torneio de futebol com o nome do cartola mais sujo que pau de galinheiro.

Os ingleses ainda são acusados de terem arrumado emprego para o filho adotivo de Jack Warner, possivelmente um cartola ainda mais corrupto que Ricardo Teixeira. Warner era presidente da Concacaf.

O filho dele conseguiu posições nos clubes Tottenham Hotspur, aqui de Londres, e depois no Aston Villa, de Birmingham.

E pra fechar, a FA ainda usou a seleção inglesa para conseguir o apoio da Tailândia. Um amistoso com a fraquíssima adversária chegou a ser marcado aqui em Londres e o acordo era de que a renda seria passada integralmente para o país asiático, segundo as investigações.

Tudo isso para nada porque a Inglaterra teve uma votação pífia e perdeu a sede da Copa para a Rússia como todos sabem.

Pode não ser um escândalo a mesma volúpia que estamos acostumados no Brasil, mas ainda assim mostra que até a família real é usada em negociações escusas do futebol.