Augusto Nardes considerou aposentadoria por causa de estresse

  • Por Jovem Pan
  • 03/11/2015 15h48
BRASÍLIA, DF, 07.10.2015: TCU-GOVERNO - O ministro Augusto Nardes durante sessão - O TCU (Tribunal de Contas da União) julga as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, em Brasília (DF). Por unanimidade, o TCU rejeitou nesta quarta-feira (7) o afastamento do ministro Augusto Nardes da relatoria das contas da presidente Dilma Rousseff de 2014. (Foto: Alan Marques/Folhapress)Ministro Augusto Nardes durante sessão do TCU que pediu a rejeição das contas de 2014

 O Ministro Augusto Nardes, relator das pedaladas fiscais do governo no TCU, diz que cogitou aposentadoria após desgaste sofrido com o processo.

Segundo o TCU as pedaladas atingiram R$ 40 bilhões no ano passado, mas a equipe econômica do governo Dilma Rousseff já fala em R$ 50 bilhões.

Nardes afirmou que a análise das contas durou entre 5 e 6 meses e que, nesse período, ele sofreu muita pressão de todos os lados, além de ameaças de políticos, pessoas ligadas ao governo, anônimos e até ameaças de morte.

O ministro teve que reforçar a segurança pessoal e se privar de alguns lugares públicos em momentos de folga e lazer. Ele disse que não está totalmente recuperado do estresse e da pressão que sofreu, o que faz com que ele pense algumas vezes em deixar o Tribunal, onde os ministros tem cargos vitalícios.

Para contar como se sente, ele se lembrou da inesperada saída de Joaquim Barbosa, que deixou a corte do STF em maio de 2014, após um desagaste profundo no julgamento do mensalão. Nardes disse: “Esse tema foi muito polêmico, tive problemas seríssimos, mas já passei por essa etapa. Não sei qual é o rescaldo, se vou pelo mesmo caminho do Joaquim Barbosa, se vou me aposentar ou não, mas é um problema enfrentar um assunto como esse. Mas a gente tem que defender a sociedade”.

Mais tarde, ao ser questionado diretamente sobre a possibilidade de aposentadoria, Nardes foi mais cauteloso: “Essa questão da pressão foi muito forte e vai continuar, mas eu estou tranquilo com o trabalho feito, com a consciência de que tínhamos que dar um basta nos gastos irregulares. Foi uma mudança de paradigma no Tribunal e foi importante para a sociedade brasileira”.

O ministro e relator cobrou do Congresso Nacional um posicionamento sobre a votação das contas de Dilma Rousseff em 2014, mas entende que, pelo rito da casa, essa votação só deve acontecer em 2016.  Ele defendeu que o governo tenha a possiblidade de parcelar esse passivo.