Bloomberg, Doria, Macri e Setúbal: empresários falam em legado na política

  • Por Jovem Pan
  • 04/10/2016 09h35
Michael Bloomberg

A maior cidade do País será administrada por um prefeito que veio do mundo empresarial. Qualquer semelhança com o caso de Michael Bloomberg em Nova York pode não ser uma coincidência. Confira a reportagem de Victor LaRegina.

Um grande empresário decide entrar no mundo da política. Você pode ficar em dúvida sobre os motivos que levam a essa decisão. Mas nos casos que observamos ao redor do mundo, os candidatos que interromperam os negócios para cuidar da população falam em legado.

Confira um trecho do discurso de Michael Bloomberg, no debate dos candidatos à prefeitura de Nova York, em 2001: “o trabalho de um prefeito é sobre gestão, e eu sei gerir. O trabalho de um prefeito é liderar, e eu sei liderar. O trabalho de um prefeito é ser responsável, e eu sou responsável todos os dias. O trabalho é de inovação, tentar novas coisas, por isso que estamos indo tão bem”.

Michael Bloomberg foi eleito e assumiu a prefeitura de Nova York dois meses após os ataques de 11 de setembro.

Alegava que em uma situação tão complicada, os nova-iorquinos precisavam eleger alguém que entendia do mercado financeiro e que poderia reerguê-la economicamente.

Ex-democrata e naquela época republicano, Bloomberg teve uma postura liberal, em relação às liberdades pessoais, mas deu continuidade ao programa tolerância zero, que combateu a violência na metrópole.

O empresário, que é atualmente a sexta pessoa mais rica do mundo, usou recursos pessoais na campanha e recusou o salário de prefeito.

Uma decisão que João Doria Junior promete repetir em São Paulo.

Comparando os discursos de Dória e Bloomberg, percebe-se que o tucano buscou muitas de suas inspirações no republicano.

O nova-iorquino foi muito bem no cargo. A violência caiu e o turismo cresceu na cidade, o levando para um inédito terceiro mandato, que terminou em 2013.

Aqui em São Paulo, não é a primeira vez que a cidade terá um prefeito que veio do mundo empresarial. Um caso célebre é o de Olavo Setúbal, nomeado pelo governador do Estado em 1975.

O banqueiro se despediu da prefeitura em 1979 com o legado de ter criado a CET e destinado ruas do centro aos pedestres e ao lazer.

Uma experiência mais recente de empresários no poder é o presidente da Argentina.

Mauricio Macri, também engenheiro e ex-presidente do Boca Juniors, criou um partido e assumiu em 2007 a prefeitura de Buenos Aires, pedindo para o país voltar a ser campeão.

Tanto Macri, quanto Bloomberg e Dória usaram o dinheiro que acumularam na carreira empresarial na campanha política.

Os três foram atacados por isso, mas em nenhum momento negaram a origem dos recursos e mesmo assim conseguiram atrair os votos de regiões mais pobres de Buenos Aires, Nova York e São Paulo.

Confira a reportagem completa de Victor LaRegina: