“Bolsa Família é mal gerido e tem fraudes”, diz relator que defende cortes no programa

  • Por Jovem Pan
  • 28/10/2015 12h11
Deputado Ricardo Barros

 O Deputado Ricardo Barros (PP-PR), relator da proposta orçamentaria de 2016, diante da previsão de um rombo no orçamento de mais de R$ 51 bilhões, sem contar as pedaladas fiscais, fala da importância de realizar cortes nas despesas.

Trata-se do terceiro ano consecutivo que o orçamento apresenta déficit. Barros afirma: “Não será fácil escapar desse rombo. Estou providenciando alguns cortes, já comecei com R$ 10 bilhões do Bolsa Família, mas não será fácil por causa dos parâmetros macroeconômicos (inflação, dólar e crescimento econômico) que tendem a piorar. Isso diminui a arrecadação e o rombo deve aumentar ainda mais com a recessão acentuada que temos hoje”.

Quando questionado se ele acredita que governo conseguirá pagar as pedaladas fiscais em 2016, Barros responde: “Eu acho que o governo pagará ainda esse ano. O TCU não concorda em pedalar as pedaladas”. Se o governo se propuser a pagar as pedaladas fiscais, isso levará a um fechamento com um déficit de R$ 100 bilhões, em comparação aos R$ 32 bilhões do ano passado, mas o deputado acredita que, ao pagar esse ano, aumentam as possibilidades de tentar balancear o orçamento no ano que vem.

Ao analisar as atuais condições econômicas, o deputado é questionado sobre qual será a estratégia do governo para o pagamento de R$ 100 bilhões – se irá aumentar a receita ou diminuir gastos – e ele acrescenta: “Eu não considero os recursos da volta da CPMF para o orçamento de 2016, então eu vou cortar gastos, o governo que me desculpe.”

Barros defende o corte de R$ 10 bilhões do Bolsa Família e justifica: “Eu sou cumprimentado por taxistas, ascensoristas e todos eles conhecem alguém que recebe o Bolsa Família e não precisa. O programa está com um excesso de pessoas agregadas e ninguém recusa um cartãozinho para receber R$ 250, R$ 350, no fim do mês. O programa é mal gerido e tem fraudes, então não teremos dificuldade em cortar os R$ 10 bilhões”.

Para o deputado, a maior dificuldade para balancear as contas está relacionada à rolagem da dívida e aos juros que são gerados. Ele completa: “Os juros não pagos da dívida vão ser rolados para o futuro. O nosso déficit primário em 2015 é de R$ 100 bilhões, mas o nominal é de R$ 350 bilhões, que é o valor real por causa dos juros. Isso que está deteriorando a nossa economia”.

O deputado ainda comenta da importância da transparência em relação aos fundos partidários de campanha.

Confira a entrevista completa do Jornal da Manhã.